Repórter da RedeTV!, Fábio Borges fala sobre cinema, a vida de correspondente e o Oscar

Para concluir nosso especial da semana que comemora o “Dia do Repórter”, que aconteceu na última quinta-feira (16), o Registro Pop fez uma entrevista exclusiva com o correspondente da RedeTV! nos Estados Unidos, Fábio Borges, que além de cobrir a conclave que escolheu o Papa Francisco já conversou com grandes nomes do cinema, como George Clooney e Juliane Moore.

Além de correspondente, o Fábio é jornalista, cinegrafista e produtor de TV.  Considerado um dos videorrepórteres brasileiros de maior destaque no exterior, ele une credibilidade jornalística com habilidades técnicas impressionantes por trás das câmeras.

1º. – Você já cobriu vários Tapetes Vermelhos pelo que pude constatar, em alguma dessas coberturas você já se sentiu prejudicado, tanto pela organização quanto pelas celebridades, por ser brasileiro e não fazer parte daquela mídia tradicional que cobre esses eventos?
Nunca foi prejudicado. Pelo contrário, os jornalistas brasileiros são sempre bem recebidos nos eventos em Hollywood. Os profissionais do cinema são cultos,  sabem da riqueza cultural do Brasil e têm interesse em falar com os representantes da mídia brasileira.

2º. – É possível que num mesmo dia ou semana você tenha que cobrir um protesto político em São Francisco ou em Sacramento, mas também tenha que comparecer numa pré-estreia de um longa-metragem em Los Angeles. Como que o correspondente se prepara para cobrir eventos tão antagônicos, mas que são de suma importância para o jornalismo?

Eu sou jornalista e, por isso, tenho o dever de acompanhar diariamente as principais notícias ao redor do mundo, de diferentes editoriais. Além disso, trabalho no mercado jornalístico desde 1996. Nesses 21 anos,  tive a oportunidade de cobrir notícias de política, economia, desastres naturais, tecnologia, entretenimento e outros assuntos em diversos países. Estou acostumado a falar de cinema em um dia e reportar  sobre fatos políticos no dia seguinte.  Até mesmo o jornalista especializado em uma editoria deve sempre estar atento sobre o que está acontecendo no mundo.

3º. – Antes de realizar uma entrevista com a equipe de determinado filme, como que é a sua preparação? Você faz a leitura de muitos artigos, assiste entrevistas anteriores daqueles profissionais…como que funciona?
A pesquisa e apuração são bases do jornalismo. Eu me preparo bastante antes de fazer as entrevistas. Pesquiso muito sobre a vida profissional e pessoal dos meus entrevistados.

4º. – Em recente entrevista ao portal Terra, você disse que “não há muitos jornalistas brasileiros especializados em cinema em Hollywood”. Entretanto, acredito ser fundamental que em todo telejornal, por mais hardnews que seja, tenha um segmento para falar de cultura e/ou entretenimento. Porque há essa falta de interesse em cobrir algo tão importante?

Pra falar a verdade, eu acredito que houve um aumento de espaço para cultura nos telejornais brasileiros. A Rede TV, por exemplo,  aposta em entretenimento em todos os seus telejornais, como no Leitura Dinâmica. É um exemplo a ser seguido já que o telespectador brasileiro tem muito interesse por arte.  Afinal de contas, o Brasil é uma nação multicultural.

5º. – A comissão que vota na lista de indicados e de vencedores do Globo de Ouro é composta de jornalistas, mais especificamente a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (ou HFPA em inglês). Você faz parte desse grupo? Caso negativo, tem vontade?

Eu fsou credenciado junto à MPPA (Motion Picture Association of America). É a associação mais tradicional e importante do cinema mundial. É o grupo que cria e monitora regras para os maiores estúdios do mundo. Ainda não faço parte da HFPA. Mas planejo entrar nesta seleta e respeitável associação.

6º. – Leio diversos relatos de cineastas brasileiros que reclamam do fato que é mais fácil assistir um filme brasileiro em Paris e em Los Angeles do que em São Paulo. Você comunga dessa visão? Ou é raro ver um longa com selo do Brasil em cartaz?

Em Los Angeles não é comum ver filmes brasileiros em cartaz nas salas do circuito comercial. Mas é fato que existem salas de cinema independentes que exibem filmes de vários países, inclusive do Brasil.

7º. – Estamos a pouco mais de uma semana para a maior e mais importante festa de Hollywood e consequentemente da indústria. É uma semana onde o centro de Los Angeles fica completamente bloqueado para os preparativos e os arranjos de segurança. É possível sentir esse ar de ansiedade na cidade? E os moradores do dia-a-dia compartilham dessa empolgação?

É uma época bastante aguardada pelos profissionais do cinema. No entanto, a população em geral está acostumada a ver diariamente, em diferentes pontos de Los Angeles, a movimentação de equipes de filmagens de cinema. Por isso, não há tanta expectativa pra quem não trabalha diretamente com cinema. Mas é claro que muita gente acompanha a cerimônia pela TV.

8º. – Você foi parar em Los Angeles após uma temporada trabalhando em Nova York. Porque decidiu mudar? Como que a família fica nessas idas e vindas da vida de jornalista?

Após trabalhar por dois anos como correspondente de hardnews em Nova York, fui convidado para ser o primeiro correspondente da Rede TV em Los Angeles, focado em entretenimento. O convite veio porque eu já tinha bastante experiência com jornalismo de entretenimento. Eu já havia trabalhado no TV Fama, por exemplo, por quatro anos. A minha família no Brasil sempre apoiou minhas decisões e, quando bate a saudade, a gente se fala pelo telefone. Eu também os vejo pessoalmente todos os anos, quando visito o Brasil.

9º. – Mesmo sendo clichê, não resistirei em perguntar qual foi a reportagem que mais lhe marcou nesses anos de profissão?

Eu já fiz mais duas mil reportagens. Mais da metade delas, foram feitas internacionalmente, em diferentes países. Eu gostei de cobrir o Mundial de Clubes da FIFA de 2012, quando o Corinthians foi campeão sobre o Chelsea. Também foi bastante interessante acompanhar, direto do Vaticano,  o conclave que escolheu o Papa Francisco. Também foi bastante desafiador acompanhar as equipes de resgate do terremoto do Haiti, em 2010. Na semana passada, fui até a fronteira entre os San Diego (EUA) e Tijuana (México) para mostrar o dilema das famílias que foram separadas por causa de deportações. Foi muito comovente.

10º. – Gostaria que encerrasse dando um conselho para todos os nossos leitores que sonham em viver do jornalismo um dia.

Primeiramente, tentem estudar em uma boa faculdade de jornalismo. Estudar jornalismo é essencial para se obter noções de ética e imparcialidade. Também é importante para aprender técnicas de reportagem, redação de textos entre outras habilidades essenciais para se produzir jornalismo com qualidade. Ao entrarem no mercado de trabalho, sempre respeitem os colegas de profissão, os entrevistados e as fontes. O jornalista depende de sua reputação e credibilidade.

11º. – Como repórter especializado em cinema, não posso deixar de perguntar-lhe sobre suas principais apostas para o Oscar de 2017.

O meu filme favorito é “Lion – Uma jornada para casa”. Eu daria o prêmio de melhor atuação para Denzel Washington e Meryl Streep. Entre os coadjuvantes, escolheria Dev Patel e Viola Davis. Melhor animação daria pra Zootopia.

Para quem quiser conferir um pouco mais do seu trabalho, aqui ficam suas redes sociais como uma dica de não só estar bem informado, como também para receber suas mais recentes entrevistas – YouTube: FabioBorgesTV; Instagram: @FabioBorgesTV; Twitter: @FabioBorgesTV; Facebook:  FabioBorgesTV; Google Plus:  @FabioBorgesTV; Pinterest: Fabio Borges TV.

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