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Rádio entrevista e revela os responsáveis por vídeo de Waack

William Waack está afastado do "Jornal da Globo" - (Foto: Reprodução/Globo)

A rádio Jovem Pan divulgou na tarde desta quinta-feira (09), os responsáveis pelo vazamento do vídeo em que William Waack faz supostas declarações racistas. Diego Rocha Pereira, operador de VT de 28 anos, e o designer gráfico Robson Cordeiro Ramos, de 29, contaram que queriam discutir o racismo a partir do comentário do jornalista, que estava prestes à entrar no ar na Globo quando se sentiu contrariado com o barulho da buzina e disse que “é coisa de preto”.

Diego é ex-funcionária da TV Globo. Ele era um dos que estavam trabalhando na preparação do link que a emissora exibiria no “Jornal da Globo” para tratar das eleições dos Estados Unidos. “Tudo aconteceu enquanto a produção estava colocando o microfone nele”, explica Diego. “Eu ainda voltei as imagens para ter certeza, não estava acreditando que ele teria falado aquilo. Fiquei tão revoltado que filmei com meu celular”.

Porém, partiu de Robson a iniciativa de divulgar o vídeo num grupo de WhasApp formado por líderes do movimento negro. Ele afirmou que não tinha a pretensão de dar ao caso a repercussão que tomou, e que sua intenção era mostrar que Waack também podia ser racista, mesmo influente no jornalismo e tendo o posto de âncora na maior emissora do Brasil.

Sobre a divulgação um anos após a filmagem, feita no dia 8 de novembro de 2016, os dois, que também são produtores de uma festa de música negra em São Paulo, revelaram que já haviam enviado o material para a imprensa numa outra oportunidade, mas que não teve repercussão igual ou maior que a de agora. “Chegamos a ouvir, ‘se não é do William Bonner’, não interessa”, disse Robson Cordeiro.

Diego Rocha Pereira e Robson Cordeiro Ramos, os responsáveis pelo vídeo polêmico de William Waack

Diego e Robson rebateram os comentários que os apontam como ‘oportunistas’ por quererem fama com a polêmica. “Se nosso objetivo fosse fama ou dinheiro, teríamos feito antes”, disse Ramos. Além disso, ainda para a Jovem Pan, Diego contou que em determinado momento, perdeu o material com as declarações de Waack.

“O vídeo original ficou em um celular que perdi durante o Carnaval. Mas o Robson tinha ele em um backup, quando foi atualizar o telefone recentemente, o vídeo apareceu”, detalhou.

Diego Rocha Pereira e Robson Cordeiro Ramos mostraram indignação pelo comentário de William Waack, que foi visto por eles como algo natural da natureza cotidiana do jornalista. “Ele faz o comentário de graça, tá tudo normal no estúdio, e ele fala de graça”, disse. “Eu me revolto porque ele [Waack] trabalha com milhões de negros dentro da Globo. Ele é o âncora, ele traz a informação, mas em volta dele tem um monte de negros trabalhando. Fico imaginando como ele é fora da câmera”, disse Ramos.

Sua opinião é de que as pessoas olharão de maneira diferente o racismo do dia-a-dia justamente por partir de alguém com a influência midiática do jornalista âncora do “Jornal da Globo”. O ponto negativo do vídeo, segundo Diego, é que ninguém presente no momento gravado por ele se manisfestou após as declarações de Waack.

“Ele não foi repreendido depois. Ali estava cheio de gente, tinha coordenador, diretor de imagem, o próprio entrevistado poderia ter reclamado da ‘piadinha'”, afirmou.

Punição

Para dar a tratativa ao caso, que explodiu na tarde desta quarta-feira (08) quando o vídeo foi publicado por um jornalista no Twitter, a TV Globo decidiu afastar William Waack de suas funções e anunciou a decisão publicamente no primeiro bloco do “JG”, desde ontem sob apresentação de Renata Lo Prete.

“A Globo é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações. Nenhuma circunstância pode servir de atenuante. Diante disso, a Globo está afastando o apresentador William Waack de suas funções em decorrência do vídeo que passou hoje a circular na internet, até que a situação esteja esclarecida”, informou em nota.

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