Crítica do Filme “Operação Red Sparrow”

Após terem trabalhado juntos por três filmes, durante a era da franquia Jogos Vorazes, o diretor Francis Lawrence e a atriz Jennifer Lawrence (sem parentesco) reatam a sua parceria em Operação Red Sparrow, novo thriller de espionagem baseado no livro de mesmo nome.

Francis dirigiu quase todos os filmes da série que catapultou a carreira de Jennifer ao status de superestrela de hollywood, e a atriz certamente conseguiu provar que é mais do que só um rostinho bonito estampando um pôster de uma franquia pop e sem conteúdo, inclusive conquistando um Oscar por O Lado Bom da Vida (2012) no mesmo ano em que o primeiro Jogos Vorazes foi lançado. Porém, o diretor parece nunca ter se desvencilhado desse “tipo” de cinema – blockbusters “vazios” e primariamente controlados pela produtora. Francis dirigiu, na sequência: vários videoclipes, Constantine (2005), Eu Sou a Lenda (2007), Água para Elefantes (2011), três Jogos Vorazes, e agora, Operação Red Sparrow. Ao contrário da outra Lawrence presente na produção, um currículo pouco impressionante e que tende a um certo pé atrás.

Analizando a carreira de Jennifer Lawrence, não é difícil perceber que ela já atuou em todo tipo de filme. Metade da sua carreira consiste em superproduções e a outra metade em filmes mais “sérios”, de um ponto de vista artístico, como o seu último longa, Mãe! (2017), por exemplo. Um pico de popularidade fez com que Lawrence fosse constantemente escalada para uma diversidade de papéis nos últimos anos, e ela não atua mal, longe disso, mas a atriz só consegue fazer o máximo que o material permite. Operação Red Sparrow é um bom exemplo de um material que definitivamente não funciona. Lawrence não só falha em salvar o filme, como ela mesma parece totalmente perdida no meio dessa história.

O longa segue a história da personagem de Jennifer Lawrence, Dominika Egorova, uma famosa bailarina russa do Bolshoi que machuca a perna após um acidente e nunca mais poderá dançar ballet. Sem rumo, sem dinheiro e com a mãe doente para cuidar, Dominika se vê obrigada a aceitar a ajuda do seu tio, um homem misterioso e bastante influente dentro da inteligência russa. E esse é o momento em que você espera que o filme se transforme em uma história de espiões e agentes secretos, e não o soft porn que ele realmente é. Claro, existem muitos momentos típicos de filme de espião, como intrigas, reviravoltas, violência gratuita e um pouco de tortura, no entanto, a trama central do longa é sobre como o sexo pode ser usado na espionagem. E como se usa sexo nesse filme! A quantidade e a relevância do tema para a narrativa é de surpreender, quase uns 50 Tons de Cinza (2015), ou até pior.

Resumidamente, Operação Red Sparrow é um filme até que bastante agradável visualmente, mas é basicamente isso – uma moldura bonita que adorna um pedaço de papel em branco. O roteiro é ruim, as falas são péssimas e tudo simplesmente parece meio brega. O clima é quase o de um pornô de baixa qualidade mesmo, e em vários momentos, as constantes cenas de sexo dão até certa vergonha de assistir ao filme. No final das contas, a produção acaba parecendo uma desculpa para a Jennifer Lawrence ficar pelada. A cereja no bolo do desconforto temático aqui é a química inexistente entre Lawrence e Joel Edgerton, reforçando ainda mais aquela clássica desconexão da pornografia.

É difícil entender como, ainda hoje, estúdios ainda fazem um filme na Rússia e sobre a Rússia com atores americanos fingindo um sotaque porcamente. É ridículo e impossível de se levar a sério, principalmente a protagonista. Logo na primeira cena com Lawrence interpretando uma russa algo já parece errado e esse sentimento dura o filme inteiro, por diversas razões. O que não é por pouco tempo, 2 horas e 10 minutos conseguem parecer um verdadeiro infinito dentro da sala de cinema, Operação Red Sparrow não acertou nem no tempo de duração. A boa notícia é que estamos na época do Oscar e existe um grande leque de bons filmes para se assistir no cinema, e é muito fácil passar longe dessa última produção de Francis e Jennifer Lawrence.

 

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