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Crítica do filme “Mãe!”: uma obra-prima que você pode odiar

Filme "Mãe" estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta, 21

Se você busca uma ida ao cinema para passar tempo e se distrair por duas horas, não vá assistir “Mãe”.

Se você só gosta de filmes literais, que te dê todas as respostas ao subir os créditos, não vá assistir “Mãe”.

Se você procura um filme de terror, para ter sustos, com uma trama rasa, não vá assistir “Mãe”.

Agora, se você está aberto e preparado para encarar um thriller psicológico denso, pesado, que vai te envolver e te deixar pensando, por dias, sobre o que acabou de ver: se jogue e aproveite esse filme que, certamente, vai mexer com seu emocional. “Mãe” estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 21 de setembro.

 

A História

O enredo gira em torno de um casal (Jennifer Lawrence e Javier Bardem) que mora em um casarão no meio do nada. Ela tenta reconstruir, com as próprias mãos, a casa do marido que havia sido completamente destruída em um incêndio, enquanto ele – um escritor de sucesso, mas que anda sem inspiração – busca meios de reencontrar sua criatividade.

A aparente tranquilidade muda quando (já no início do filme) começa, aos poucos, a chegar estranhos inquilinos e “invadir” a casa, a privacidade e a vida do casal de uma maneira perturbadora, mexendo com o psicológico da mulher.

A história transcorre envolvente e deixa o espectador ansioso durante todo o filme, querendo saber como, quando e se aquela angústia vai acabar.

Jennifer Lawrence e o diretor Darren Aronofsky no set de filmagens

 

A Estrela do Filme

Apesar de ter Jennifer Lawrence como principal chamariz, a produção tem em Darren Aronofsky – diretor e roteirista, conhecido por “Cisne Negro” e “Noé” – o grande destaque do longa, para o bem ou para o mal. Será ele o responsável por você amar ou odiar o filme.

Na parte técnica, é necessário realçar o trabalho da edição de som. A tensão e angústia são transmitidas em cada detalhe sonoro, como nos passos dados nos assoalhos soltos de madeira ou na cena com um bebê (sem spoilers).

As sequências com planos mais longos, com a câmera sempre muito próxima à Jennifer, fazem com que a gente viva o drama da personagem, se aproximando, ao máximo, dela. Outro recurso utilizado, acertadamente, pelo diretor foi o de abusar de closes bem fechados, fazendo com que a interpretação facial dos atores fosse mais exigida.

Por falar em interpretação, Jeniffer está ok. Foi uma oportunidade para atriz experimentar um papel bem diferente de tudo que já fez e ela conseguiu conduzir bem o desafio.

 

Metáforas

Ao decidir assistir o longa, você deve ter uma coisa em mente: o filme não é literal. Pelo contrário, ele é completamente metafórico e não diz o que quer dizer.

“Religião, sociedade do selfie, exploração da natureza, relacionamentos destrutivos…”, diversos símbolos podem ser associados à mensagem que Aronofsky quis passar, dependendo do que cada um dos espectadores carrega consigo.

E, nem só de acertos vivem os grandes diretores. O longa também apresenta defeitos: algumas cenas beiram o pitoresco, a “loucura” do filme, às vezes, parece ser exagerada e em um determinado momento você se sente um pouco cansado com o desenrolar da trama.

Um dos cartazes de divulgação do longa “Mãe”

 

Mesmo assim, vale a pena ver o filme?

Aí vai depender das suas expectativas e das respostas às minhas perguntas do início.

Se você chegou ao final desse texto e algo te diz para ir ver esse filme, aproveite a semana de estreia e vá assistir no cinema. Essa não é uma produção para ser visto no sofá de casa, em uma tela pequena e com um som que não te envolva por completo.

Ao sair da sala de exibição, eu estava anestesiado, simplesmente paralisado com tudo aquilo que acabara de ver.

Minha cabeça fervia, pensando nas diversas possibilidades de mensagens que o autor quis passar. Minha vontade era encontrar Darren Aronofsky e perguntar se o que eu tinha entendido era o que realmente ele queria passar.

Mas, quer saber? Isso pouco importa.

O próprio personagem do Bardem, em determinado momento do filme, ao falar do público que lê suas poesias diz: “Eles entenderam tudo, mas cada um sentiu de um jeito”.

E é bem isso. A arte mexe com as pessoas de formas diferentes, porque as pessoas são diferentes. Cada um tem sua bagagem e enxerga a mesma coisa com outro olhar.

O filme que eu assisti é o mesmo que você vai assistir, caro leitor (vai?). Porém as percepções serão, com toda certeza, bem diferentes.

E, eu, acho isso espetacular. Palmas ao Aronofsky!

 

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