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Crítica do filme: Velozes e furiosos 8

Velozes e Furiosos 8

Enquanto conseguir render lucros, a franquia Velozes e Furiosos conseguirá inventar histórias e desdobramentos da ideia original que, como vimos no filme debutante de 2011, buscava retratar os rachas de carros nas ruas de Los Angeles. De lá para cá, as produções posteriores buscaram se ancorar cada vez mais no interesse de um público cativo em acompanhar sequências improváveis e megalomaníacas, em que as pirotecnias realizadas por automóveis superpotentes assumem o protagonismo. O oitavo filme da série não vai surpreender quem já espera isso.

Velozes e Furiosos 8 (The Fate of the Furious) tem início em Havana, onde uma corrida de tirar o fôlego dá abertura ao filme. É na capital cubana que Dom (Vin Diesel) é ameaçado por Cipher (Charlize Theron), uma ciberterrorista que o convence a ajudá-la numa missão nuclear mundial. Desse modo, ele se vê forçado a trair sua equipe, que agora foi recrutada pelo Sr. Ninguém (Kurt Russel) em uma operação americana secreta para impedir que  o plano criminoso seja bem sucedido.

A essa altura, é mais que evidente que a franquia não está preocupada em ser realista. As cenas de ação são mais pretextos para coreografias cada vez mais inusitadas e elaboradas do que necessárias para o desenrolar da trama. E devem ser justamente esses momentos de adrenalina que garantem o sucesso de bilheteira. Nesse sentido, o filme consegue alcançar êxito já que mais uma vez desafia as leis da física e apresenta sequências frenéticas em que literalmente há uma chuva de carros e um submarino emana de debaixo do gelo para perseguir os personagens. Tudo é muito impressionante, talvez não pelo melhor motivo.

O filme atua numa zona de conforto também ao atribuir o conflito principal da história à preservação da família. Assim, disfarça as inconsistências do roteiro relativas às reais motivações da antagonista Cipher, que apesar de aparentar ser tão inteligente, confia demais em sua carta na manga para manter a fidelidade de Dom. A tentativa de dar uma dimensão dramática e emocional se contrapõe ao tom cômico que não foge das piadas prontas mas que rende dois bons momentos já no último ato: um diálogo envolvendo mãe e filho, e o resgate de um personagem que escuta música nos fones de ouvido.

Os atores estão confortáveis com os já conhecidos papéis, e oferecem performances regulares. O destaque vai para Charlize Theron que, assim como fez em Branca de Neve e Caçador (2012), criou mais uma vilã cujo olhar é suficiente para transmitir força e frieza. Dwayne Johnson e Jason Statham novamente se favoreceram com o humor de seus personagens Hobbs e Deckard, respectivamente.

Depois de mais de  2h de filme, o espectador vai sair do cinema com a cabeça cheia de imagens grandiloquentes de destruição massiva de automóveis e explosões. Para quem é fã do estilo popularizado pela franquia, Velozes e Furiosos 8 promete satisfazer. Possui uma trama facilmente palatável e carros voadores no século XIX.