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Crítica do filme “Feito na América”

O cartel de Medellín está definitivamente em alta. Já se passaram mais ou menos trinta anos desde que o colombiano Pablo Escobar se tornou um dos homens mais ricos do planeta traficando cocaína para dentro dos Estados Unidos, e parece que o mundo da ficção finalmente percebeu o potencial de contar essa história. Depois de alguns filmes, biografias e séries tratando do famoso cartel colombiano (como a popular Narcos estrelada pelo brasileiro Wagner Moura) o diretor Doug Liman, conhecido por filmes como Sr. e Sra. Smith (2005) e Identidade Bourne (2002), apresenta novamente essa história, agora sob o olhar não de Escobar, mas do piloto americano Barry Seal, interpretado por Tom Cruise.

Barry Seal foi o mais jovem piloto comercial da empresa aérea TWA nos EUA e se envolveu com a operação de Escobar após ser recrutado pela CIA para ajudar com fotos de reconhecimento, principalmente das revoluções comunistas tomando força pela América Central. Aos poucos ele adquiriu mais funções além de somente pilotar aviões e começou a fazer um escambo de informações com governos e rebeldes locais. Em uma dessas viagens, Barry foi mandado para a Colômbia, onde rapidamente chamou atenção de Jorge Ochoa e Pablo Escobar quando ainda estavam começando o que viria a se tornar o maior cartel de drogas da história. Barry viu ali uma oportunidade para mudar de vida e decidiu se juntar aos colombianos, trazendo toda a sua criatividade estratégica e o seu conhecimento como piloto para a operação. Como é citado algumas vezes durante o filme, Barry é conhecido como the gringo who always delivers, ou “o gringo que sempre entrega” E entrega o que for, seja a própria mercadoria, ou simplesmente a segurança de um trabalho bem feito.

Logo no início a estética do filme me chamou a atenção. Como a história é ambientada no final dos anos 70 e início dos 80, os créditos e as montagens de cenas dentro do filme todos possuem a estética da época retratada. O personagem de Tom Cruise também narra o filme através de cenas filmadas em VHS, que interpolam o ritmo bastante acelerado do filme. Pequenos detalhes de ambientação como esse me surpreenderam positivamente, assim como a atuação do protagonista. Acredito que muitos concordariam comigo que Tom Cruise já está um pouco batido e eu só esperava vê-lo novamente como o grande protagonista de ação que ele sempre foi, mas o carisma do ator é um fator decisivo no argumento da qualidade do filme. “Feito na América” é Cruise e o ator definitivamente entrega, ao contrário dos roteiristas.

Confesso que deve ser meio complicado a adaptação de uma história real para as telonas, mas apesar da narrativa do filme ser bastante envolvente e despertar curiosidade no espectador, eu tive muita dificuldade de entender a motivação dos personagens. Barry quer ficar rico? Aparentemente sim, mas definitivamente não parece, já que ele passa 90% do filme em meio às aventuras de contrabando. Ah, mas então ele quer emoção? Notei uma tentativa do diretor de mostrar que a vida do protagonista era um tanto chata ou parada, mas isso durou cinco minutos de filme e o Tom Cruise nunca me pareceu assim tão incomodado com a vida antiga dele.

O ritmo do filme também me confundiu um pouco, não sei se escolheram os melhores momentos da vida de Barry Seal para tratar com mais minúcia, mas com certeza somos apresentados a vários. Entendo que o objetivo era mostrar tudo o que ele realizou enquanto piloto de Escobar, mas a compressão ficou um pouco estranha. Vários anos se passam quando menos se espera e são muitas as montagens de passagem de tempo. Não é um filme curto, mas essas montagens me deram certa impressão do final chegar de repente.

Feito na América não é um filme ruim, no entanto senti falta de certa “alma”. Eu me diverti assistindo e acho que muitas pessoas também vão, principalmente assistindo com amigos. Só faltou uma camada a mais ali. Para mim o filme é um tanto raso. Não me importei muito com os personagens e nem mesmo com o protagonista, não entendi o que ele queria, mas a sequência dos fatos é interessante. Quase como um livro de história mesmo, mas com toda a ação exacerbada que hollywood merece, claro.

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