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Crítica do filme “Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha”

“Victoria e Abdul - O Confidente da Rainha” (Victoria and Abdul) estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 16 de novembro (crédito: divulgação)

“Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha” (Victoria and Abdul) estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 16 de novembro, trazendo mais uma história sobre a família real britânica.

A vida da Rainha Victória – até então a monarca com o maior tempo de reinado (superado apenas pela a atual, Elizabeth II) – já foi retratada no cinema e televisão inúmeras vezes, porém, sempre as narrativas voltaram o olhar para a já conhecida história de amor entre ela e o seu esposo, Príncipe Albert, no início da sua era, com apenas 18 anos de idade.

Dessa vez, não. A trama já começa na fase final da vida da rainha, quando Victoria (Judi Dench) é retratada exausta e sem muita paciência e disposição para cumprir a agenda abarrotada de compromissos que a coroa exige.

Porém, em um desses atos oficiais, ela conhece Abdul Karin (Ali Fazal), um indiano que foi escolhido por conta da sua estatura para entregar uma moeda comemorativa à rainha. E uma quebra de protocolo do servo chama a atenção da soberana e faz nascer ali uma amizade improvável que abala e mexe com as estruturas da alta corte britânica.

 

Vai ter Oscar?

Os filmes do diretor britânico Sthephen Frears costumam agradar a academia e receber, pelo menos, indicações ao Oscar. Foi assim com as mais recentes produções Florence: Quem é Essa Mulher? (2016) e Philomena (2013) e com uns mais antigos como A Rainha (2006) e Os Imorais (1990) e Ligações Perigosas (1988).

E, em 2018, o diretor deve comparecer mais uma vez à principal premiação do cinema mundial. A direção de arte e figurino do longa estão impecáveis e provavelmente estarão entre os indicados ao prêmio. Cada detalhe do luxo da época, com suas cores, brilhos e extravagâncias são retratadas, com extrema competência, durante toda a produção.

A direção de arte e figurino do longa estão impecáveis e provavelmente estarão entre os indicados ao Oscar (Crédito: divulgação).

Outra indicação que pode pintar é com a sempre talentosíssima e já vencedora de Oscar, Judi Dench, que também disputou estatueta em 2013 com Philomena, em outra dobradinha com Frears. Aos 83 anos, ela parece estar no auge e plenitude de sua carreira, interpretando uma personagem que apresenta diversas nuances durante o filme.

A fragilidade e falta de paciência retratada nas primeiras cenas do longa é naturalmente modificada após o início da amizade com o indiano. Aliás, essa antítese da personagem é um dos pontos altos da interpretação feita por Dench. A rainha apresenta fragilidade e força ao mesmo tempo e na dose certa, doçura e mau-humor, ternura e ferocidade. A atuação de Judi é digna de aplausos, em pé.

Aos 83 anos, Judi Dench parece estar no auge e plenitude de sua carreira (crédito: divulgação).

Já o desempenho de Fazal, teve, na primeira metade do filme, bastante brilho e carisma, deixando se apagar do meio para o fim. Para mim, ele não conseguiu segurar o papel e passar a devida emoção no momento crucial do longa. Faltou um pouco, tanto que chega a gerar dúvidas se o sentimento que ele detinha pela rainha era tão recíproco quanto o que ela nutria por ele. Talvez, o desempenho tão grandioso de Dench tenha apagado um pouco do brilho do ator indiano.

Ainda sobre atuação, um personagem bem coadjuvante merece ser citado: Mohammed (Adeel Akhtar), o outro indiano que foi junto com Abdul à Inglaterra. Ele é o responsável pelas principais cenas de comédia do filme.

 

História Real

O longa é baseado em uma história real que só foi descoberta recentemente quando o diário do indiano foi encontrado. O responsável pelo roteiro foi Lee Hall (Cavalo de Guerra e Billy Elliot) e aqui eu vejo um problema. Por mais que o foco do longa seja a amizade entre os dois, durante o decorrer do filme esse é a única e exclusiva questão que ronda a corte britânica. Nenhuma outra demanda surge para desviar a atenção dos principais membros da monarquia. A história dos amigos poderia ter sido trabalhada concomitante com outros problemas do reino e, talvez, até mostrar a participação de Abdul para solucioná-los.

Cena real da amizade entre a Rainha Victória e Abdul Karin (crédito: divulgação).

Fora isso, o filme é leve, fala de amizade e apresenta um pano de fundo que vira e mexe é retratado nas telonas – e, na grande maioria das vezes, baseado em fatos reais, como é o caso – que é a vida “secreta” de ilustres que costumam viver solitárias, mesmo vivendo rodeadas de outras pessoas. É um drama, com ótimas pitadas de comédia e que fala sobre amizade.

Não é um filmaço, mas cumpre o que se propõe. Não apresenta nada de novo no mundo cinematográfico, mas entretém e prende, tanto que as quase duas horas de filme não incomodam. Vale, sim, a ida ao cinema.

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