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Crítica do filme “Um Perfil para Dois”

"Um perfil para dois” (Un Profil Pour Deux) chega às telonas brasileiras nesta quinta-feira, 9 de novembro (crédito: divulgação).

Quando vou ao cinema ver um novo filme, procuro ler a sinopse e assistir ao trailer, para ter a mínima ideia do que está por vir. Como já falei por aqui, tenho um encanto especial pelo cinema francês, pois é uma escola que prioriza boas histórias aos grandes efeitos visuais. E, para mim, tramas envolventes e bem contadas sempre conquistam.

“Um perfil para dois” (Un Profil Pour Deux) já demonstrou, em seu trailer, reunir sensibilidade, leveza e graça em sua produção. Já fui esperando coisa boa. O filme francês chega às telonas brasileiras nesta quinta-feira, 9 de novembro, e se mostrou uma ótima opção para uma ida ao cinema neste final de semana.

O longa conta a história de Pierre (Pierre Richard), um senhor que, após ficar viúvo, não quis mais sair de casa, vivendo da solidão e das lembranças de sua falecida esposa. Eis que sua filha Sylvie (Stéphane Bissot) contrata Alex (Yaniss Lespert) para ensinar o ancião a navegar na internet. Porém, ao criar um perfil em site de relacionamento amoroso virtual, Pierre se passa pelo jovem professor, marca um encontro com a bela e jovem Flora (Fanny Valette) e convence Alex a sair com a moça em seu lugar.

À medida que a trama vai se desenrolando, os dois acabam se envolvendo cada vez mais na história criada pelo viúvo, o que gera diversas situações embaraçosas e engraçadas e uma gostosa expectativa de como a história chegará ao fim.

Pierre Richard e Yaniss Lespert interpretam Pierre e Alex, que vivem diversas situações embaraçosas e engraçadas (Crédito: divulgação).

Woody Allen na França?

“Um perfil para dois” lembra um quadro com a assinatura de Woody Allen. As digitais do roteirista e escritor americano parecem estar expostas em praticamente todo o filme. Tanto na parte técnica quanto no roteiro, pois o texto é leve, sutil, inteligente e com reviravoltas. A trilha sonora é composta por jazz que segue o ritmo da cena que a compõem. A fotografia e alguns jogos de câmera, quando o diretor brinca com a noção do espaço e tempo, também tem características do cineasta nova iorquino.

Outro fator marcante de Woody é a ambientação do filme em uma bela cidade como plano de fundo. No caso de “Um perfil para dois”, a trama é desenvolvida em uma Paris vista com o olhar do morador local e não o do turista e com belos momentos de uma Bruxelas romântica e charmosa. Traição, romance e um personagem mais velho, adorável e rabugento, que se apaixona por uma mulher mais jovem também são traços do cineasta americano. O protagonista, inclusive, é um papel com a cara do Allen, que poderia ser interpretado perfeitamente por ele.

Mas a interpretação, não. O premiado diretor não teria conseguido desempenhar tão bem o papel do viúvo quanto o Pierre Richard. Aos 83 anos, o veterano ator está incrível em cena. O personagem vai se modificando ao decorrer da trama e ele vai destilando seu talento, com extrema competência, envolvendo o espectador. Ele tem o timing do humor na medida certa e, mesmo sozinho em algumas cenas, consegue manter o nível do filme elevado.

Aos 83 anos, Pierre Richard está incrível em cena. (Crédito: divulgação).

Aliás, a atuação é um dos pontos altos do longa. Um elenco entrosado, com personagens que dão aos atores oportunidades de brilhar, com diálogos ricos e inteligentes. Destaque também para a bela Fanny Valette, que está deslumbrante no filme, dando vida à Flora. Quando está em cena, a atriz consegue encantar e conquistar com sua interpretação.

A bela Fanny Valette, está deslumbrante no filme, dando vida à Flora. (Crédito: divulgação)

 

Planos de Fundos

O filme fala de mentiras virtuais, o poder da internet e a forma como a sociedade se relaciona atualmente, contrastando com maneiras diferentes de épocas passadas. Mas, o grande plano de fundo do filme é o amor, é o deixar se apaixonar e os encontros e desencontros que todos temos na vida.

Aquele frio na barriga, pernas bambas e coração acelerado que quem já se apaixonou, com certeza, já sentiu. E o poder que essa paixão tem de transformar as pessoas, independentemente da idade.

O longa apresenta alguns pequenos problemas. Em uma piada ou outra com menos graça, ou em algumas partes da trama que o autor não conseguiu fechar muito bem. Mas, nada que diminua os méritos do roteirista e diretor Stéphane Robelin, que vem se destacando no cinema francês.

O filme não é uma comédia escrachada, mas apresenta um texto  leve, sutil e engraçado. Com um romance que apresenta alguns clichês, mas está longe de ser as comédias românticas óbvias e padronizadas produzidas por hollywood.

Enfim, acredito que vale muito a pena a ida ao cinema. Uma boa forma de passar o tempo, especialmente, se for com seu crush, paquera, namorado(a), marido ou esposa. Com certeza, será um belo e divertido programa para o final de semana.

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