Crítica do filme “#UberxTáxis”

Para quem é de Brasília e gosta de prestigiar e valorizar produções locais e independentes, vale o programa. Na próxima segunda-feira, 18 de dezembro, será realizada a pré-estreia do documentário “#UberxTáxis”, no Cine Brasília, às 20h. A entrada é franca, porém limitada à capacidade da sala que é de 600 pessoas.

O documentário é assinado pelo gaúcho radicado em Brasília Maurício Costa. “#UberxTáxis” é o segundo trabalho do cineasta, também responsável pelo #EraDosGigantes” de 2016.

O longa mostra o cenário, as análises e opiniões sobre o processo da entrada e regulamentação dos aplicativos de transporte individuais como Uber, Cabify e 99. A produção tem Brasília como espaço principal, porém apresenta breves pinceladas e comparações do processo de entradas desses apps em outros locais do país e do mundo.

Delimitação do Tema

Um dos grandes méritos – e talvez o maior risco – de um bom documentário é a delimitação do tema. A medida que o processo de pesquisa vai avançando, novas informações e elementos são aprensentados, fazendo com que a vontade de encaixá-los no roteiro se torne uma tentação.

Aqui, temos um documentário que inicia com o embate apresentado no título: “Uber x Táxi”, mas, com o passar dos minutos, o espectador perceberá que a discussão vai muito além, adentrando em temas mais complexos como política de mobilidade urbana, transporte público, desemprego, trabalho escravo, qualificação profissional, segurança, assédio sexual, entre outros.

Os embates que podem parecer essenciais para alguns, talvez se tornem cansativos e dispensáveis para outros. Até onde deve ir o aprofundamento do tema para não deixar o debate raso e superficial? Isso, dependerá da visão e do que espera cada espectador.

O visual entregue no produto é muito agradável, principalmente para quem é e gosta de Brasília (crédito: divulgação).

Conteúdo e Técnica

O que o documentário fez de melhor foi mostrar o mesmo tema com dois pontos de vista opostos, que resultou em uma polarização do discurso em: “tradicional x moderno”. Essa dicotomia está reluzente aos nossos olhos em cada detalhe de seus defensores: nas roupas, no visual, na utilização da língua portuguesa, nos argumentos, em tudo e em todos os momentos.

A parte técnica é muito bem-feita no documentário, ainda mais se observarmos “#UberxTáxis” com o olhar que ele merece ser visto: uma produção independente, sem financiamentos externos.

O visual entregue no produto é muito agradável, principalmente para quem é e gosta de Brasília. Tomadas aéreas mostram a Capital Federal por diversos ângulos durante todo o filme (mesmo que algumas imagens não aparentam ter muita ligação com o conteúdo). O diretor utiliza elementos gráficos como tweets, manchetes de jornais e box de e-mails, que não são novidades, mas sempre funcionam. E a trilha compõe bem o cenário, passando o clima de velocidade e o agito do trânsito nos dias de hoje e o momento tenso vivido no momento que o documentário retrata.

Apesar de, em determinado momento, o documentário ter me cansado (por exemplo, um deputado disse a mesma coisa em três falas diferentes), no geral, é uma produção que ficará na história. Daqui a 10, 20, 30 anos vamos ver esse documentário e não vamos acreditar que houve tanta polêmica por isso. Além disso, é muito bem produzido, dirigido e é um produto nosso.

Enfim, quem é de Brasília, vale prestigiar: segunda-feira, 18 de dezembro, 20h, no Cine Brasília. Quem não é, entra na fan page da produção e vejam diretamente com eles sobre a distribuição na sua cidade.

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