Registro POP

Crítica do Filme “Pai em Dose Dupla 2”

Depois de surpreenderem com uma ótima química no bem-recebido Os Outros Caras (2010), a dupla improvável Will Ferrell e Mark Wahlberg voltaram as telas de cinema em 2015 com a comédia Pai em Dose Dupla. Na comédia, Ferrell interpretava Brad Whitaker, que sempre quis ter filhos e se sentiu pronto para ser pai, mas após um acidente ridículo no dentista acabou ficando estéril. Brad é casado com Sara (Linda Cardelini), que já tinha dois filhos do primeiro casamento, e vive batalhando pela atenção dos enteados de uma forma bastante emocional e exagerada. Até que quando, finalmente, Ferrell parece estar sendo aceito pelas crianças, Dusty (Wahlberg), o pai biológico extremamente cool e aventureiro, decide que quer sua família de volta.

O filme segue a linha das típicas comédias familiares estrelas por Ferrell ou outros comediantes da mesma leva – Adam Sandler, Steve Carell e Ben Stiller são alguns exemplos, principalmente Stiler por que Pai em Dose Dupla lembra bastante a franquia Entrando Numa Fria, basicamente trocando o pai da esposa do protagonista pelo ex-marido. Ferrell interpreta o loser com o coração de ouro que parece sempre se dar mal em favor do seu antagonista seguro e decidido. O longa, que é uma comédia bem family-friendly, até que possui a sua lição positiva por trás das diversas piadas apelativas e, muitas vezes, físicas (sempre às custa de Ferrell se machucando de graça): que para ser um bom pai é preciso carinho e atenção, mas também mostrar um exemplo forte e decidido. Até o final do filme Ferrell e Wahlberg colocam as suas diferenças de lado, param de competir e percebem que ambos podem ser bons pais, juntos. E nos últimos dez minutos, o filme prepara o gancho para uma sequência: Dusty se muda para a casa da frente, agora casado com uma mãe solteira que poderia ser uma super-modelo (e realmente é, a modelo Alessandra Ambrosio), e também tem que aprender a ser padrasto da sua nova enteada.

O primeiro filme acaba com a revelação do verdadeiro pai da enteada de Wahlberg: John Cena (famoso lutador de WWE) interpretando um pai biológico ainda mais intimidador e cool do que Dusty, que aparentemente agora se encontra em uma situação parecida com a de Brad no começo do filme. Graças a Deus, Pai em Dose Dupla 2, não seguiu exatamente a mesma fórmula do primeiro, mas adicionou à dinâmica familiar trazendo agora dois avôs: o pai de Dusty, interpretado por Mel Gibson, e o pai de Brad, interpretado por John Lithgow (da famosa série 3rd Rock from the Sun).

 

O pai de Dusty, Kurt (Gibson), incomodado pelo que o filho se tornou e com a sua proximidade com Brad, decide tentar destruir a relação que os dois construíram e todo o conceito de “co-pais” que eles estão experimentando. Assim, ele aluga uma cabana nas montanhas para toda a “família” passar a semana de natal junta. Toda a família mesmo: Brad e Dusty, suas respectivas esposas, seus pais e as crianças. Naturalmente, o pai de Dusty é emocionalmente distante e tem uma relação ruim com o filho, e o pai de Brad é extremamente carinho e próximo – os pais de cada um são basicamente uma versão ainda mais exagerada dos filhos e o filme explora a relação deles e continua a discussão de o que é ser um bom pai.

Especificamente como uma comédia “família” de natal Pai em Dose Dupla 2 funciona, e bem mais do que o original. A dinâmica da dupla Ferrell-Wahlberg é muito mais interessante como estranhos melhores amigos do que como rivais, já que anteriormente a piada era sempre a mesma – Dusty é um herói invencível que faz tudo e Brad sempre se dá mal. Os personagens são muito melhor explorados como aliados e quando comparados a versões hiper-exageradas deles mesmos, na forma dos pais (Gibson e Lithgow). O filme, agora com a liberdade de não se focar na rivalidade dos protagonistas, abre esse espaço para outros personagens, não só os “avôs” da família, como as crianças e Linda Cardelini (Alessandra Ambrosio talvez tenha duas falas durante o filme inteiro.) Mel Gibson não é muito engraçado e deixa a desejar, Kurt parece remanescente do que menos funcionou no filme anterior (a personalidade de Dusty, o cara ”malvadão” que faz de tudo e não gosta de nada), no entanto Lithgow brilha e sua interação com Ferrell é formidável – muitas das melhores cenas do filme são protagonizadas pelos dois – Lithgow inclusive enaltece o próprio personagem de Gibson em alguns momentos que eles contracenam, tamanho o carisma do ator.

Algo que é típico de continuações de filmes de comédia e acontece bastante nessa sequência é a repetição de momentos cômicos. O filme referencia o original constantemente com cenas parecidas, mas não exatamente iguais – situações ou personagens diferentes, mas similares no jeito que são apresentadas. Em alguns filmes, como Kingsman: O Círculo Dourado por exemplo, isso não funciona e parece até um tanto apelativo, no entanto Pai em Dose Dupla 2 parece se beneficiar com as auto-referências – por vários fatores, como: verba maior, novos atores inseridos ou talvez só pela natureza menos apelativa da sequência. Os dois filmes, por exemplo, possuem uma grande cena exagerada onde Will Ferrell se machuca de uma forma inacreditável. No original, a cena aparece de repente, é mal-executada, mal produzida (efeitos especiais toscos mesmo) e mais me impactou negativamente do que conseguiu arrancar uma risada. Já na sequência, a cena talvez seja ainda mais exagerada, mas é melhor contextualizada, melhor produzida e tão ridícula que é impossível não rir.

Pai em Dose Dupla 2 é uma comédia leve e para toda família, com toda uma temática natalina, perfeita para a época do ano que estamos entrando e, claro, os típicos exageros de Will Ferrell estão garantidos. O filme com certeza não vai mudar a vida de ninguém, mas talvez arranque umas boas risadas.

 

Recomendamos:

Comentário(s)

Curta-nos:

Siga-nos:

Siga-nos: