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Crítica do filme “A Noiva”

O longa "A Noiva" (Nevesta) estreia nesta quinta, 2 de novembro, nos cinemas brasileiros (crédito: divulgação)

Depois de “Os Guardiões”, eis que o cinema russo aparece novamente nas salas brasileiras. Agora, é a vez do longa “A Noiva” (Nevesta ou The Bride) estrear, nesta quinta-feira, 2 de novembro, feriado do dia dos finados.

Para começo de história, o filme não é tão novo assim. Foi lançado na Rússia em janeiro desse ano e somente depois de 10 meses começará a ser exibido em solo tupiniquim. A junção da semana do Halloween e Dia dos Finados talvez tenha sido o mote que a distribuidora esperava para alavancar bilheteria.

E – exceto pela nacionalidade do longa – o filme tem potencialidade de público. Uma tradição macabra e real, um trailer assustador e um feriado fúnebre: prato cheio para quem gosta do gênero. Mas, será que a vale a pena a ida ao cinema?

 

Fotografando Mortos

O filme começa – muito bem por sinal – com o fotógrafo Barin (Igor Khripunov) apresentando uma antiga tradição russa do século 19 de fotografar pessoas mortas. De cara, ele fotografa sua esposa recém-falecida, com imagens de olhos desenhados nas pálpebras e um vestido de noiva. Na época, acreditava-se que ao fotografar os entes queridos assim, a alma poderia ficar presa no negativo da foto.

No século 19, uma estranha tradição fotografava pessoas mortas, com olhos pintados nas pálpebras (crédito: divulgação).

Só que o desejo de Barin vai além. Ele busca uma nova experiência para que o espírito de sua esposa continue vivo no corpo de uma outra mulher. E ele consegue.

Aí, o filme dá um salto temporal e chega à atualidade, onde o bisneto de Barin, Vanya, leva sua recém esposa Nastya para conhecer sua família que mora em um velho casarão em uma região deserta (nada mais clichê, hein?). E aí a trama se desenvolve, quando a mocinha se vê mergulhada em um local desconhecido, cheio de mistério com todas as excentricidades e “maldições” que assola as gerações da família do marido.

Como falei, o longa começa muito bem e apresenta, desde o início, bastante potencial, porém não dá o resultado esperado. O roteiro se perde completamente na segunda metade do filme e entrega um terror cheio de clichês, com poucos sustos e com muitos (muitos mesmo) furos na história.

O que me incomodou bastante, desde o início, foi a dublagem do filme do Russo para o Inglês. Os diálogos na língua inglesa pareciam uma mistura de narração de documentário, com propaganda de produtos do polishop e aqueles CD’s de aula de inglês da 5.º série. Simplesmente tosco. Não consigo entender porque não deixam o áudio original como fazem com outros filmes europeus. Aliás, o longa tem outros defeitos de som, com ruídos estranhos em diversos momentos da exibição.

A parte técnica visual até que vai bem. A maquiagem e figurino conseguem entregar um bom resultado, mas o grande problema do filme é, sem dúvidas, o roteiro. São furos inacreditáveis e cenas que beiram o bizarro (impossível tratar dessas sequencias sem dar spoilers. Se você quer saber mais sobre isso, veja o final do texto).

A parte técnica visual até que vai bem. A maquiagem e figurino conseguem entregar um bom resultado. De bom, nada mais (crédito: divulgação).

Em resumo: um roteiro com potencial, mal aproveitado, com sérios problemas técnicos e furos de narrativas absurdos. Se você é (por menos que seja) exigente com filmes, não vá ao cinema. Procure outro longa para investir seu rico dinheirinho do ingresso.

Remake

O mesmo potencial que eu vi, Hollywwod também parece ter visto, tanto que a Lionsgate Pictures foi rápida e comprou os direitos da refilmagem do longa. Os irmãos gêmeos Chad e Carey Hayes – responsáveis pelos roteiros de Invocação do Mal, Invocação do Mal 2, Colheita do Mal e A Casa de Cera – estarão à frente da nova produção que ainda não tem data de estreia definida.

 

ATENÇÃO – APÓS O CARTAZ, CONTÉM SPOILERS

Resumo de “A Noiva”: um roteiro com potencial, mal aproveitado, com sérios problemas técnicos e furos de narrativas absurdos (crédito: divulgação).

Se você é daqueles (como eu) que não gosta de spoilers, peço, por favor, que não leia nada a partir dessa linha.

Agora, se você gosta de saber o que vai acontecer nos filmes ou não pensa em assistir “A Noiva” tão cedo, vamos em frente.

Como dito ao longo do texto, o filme apresenta sequencias que beiram o bizarro como, por exemplo, uma em que o casal de protagonistas foge do casarão, de carro, e depois de andar por muito tempo, o veículo é atingido violentamente por outro carro (acreditem, foi muita violenta a batida) lateralmente, em cheio, no motorista. O pessoal do outro automóvel captura a mulher e o mocinho fica lá, no carro, desacordado e muito ensanguentado. Depois de várias cenas (muito tempo mesmo), a imagem retorna ao local do acidente e não chegou nenhum socorro. Mas aí ele acorda, levanta, sai caminhando e chega (a pé) em casa no momento de salvar a mocinha.

Outra: Para acabar com a maldição, é falado no filme que basta quebrar o negativo da foto original, uma chapa de vidro que o bisavô escondeu e que durante anos ninguém encontrou. Mas, a mocinha, em menos de 24h na casa, descobre o local. Quando o rapaz fala para ela que o intuito era acabar com a maldição, ela diz que sabe onde o original está escondido. Vai até o local, pega a chapa na mão e aí? O que qualquer pessoa faria? Quebraria né? Mas eu acho que isso nem passou pela cabeça dela. Ficou andando por várias cenas com o negativo na mão, até que a “fantasma” conseguiu agredi-la e a chapa caiu, inteirinha, em um cantinho escondido. Pronto. A maldição continua e já podemos ter “A Noiva 2”.

Quer mais? Na cena final, a irmã do protagonista se faz incorporar a alma da bisavó e, para pôr fim em toda a maldição, ao invés de quebrar o negativo ela coloca fogo em si mesma, mas, espera aí! A alma já “morreu” várias vezes e ela sempre procura outra hospedeira. Qual o sentido de colocar o fim no seu próprio corpo para se livrar da alma possuidora? E ainda tem mais, a casa é totalmente de madeira e, após toda uma cena de fogo intenso, a construção continua lá, intacta, quando um novo casal chega para alugar o imóvel.

Sério! Roteiristas precisam entender que nós, espectadores, temos um mínimo de inteligência e as tramas devem fazer algum sentido. Não podem criar uma narrativa e achar que vai descer por goela abaixo, sem questionamentos. Ainda mais em uma sociedade interligada por redes sociais onde todos podem falar e serem ouvidos.

Enfim, o filme começa com o roteiro promissor, que até prende de início, mas logo se perde e aí é a nossa vez de perder, completamente, a paciência.

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