Celebridades, televisão, cinema, música e mais

Crítica do filme: Neve Negra

Trhiller psicológico que conta a história de um passado mal resolvido entre irmãos, Neve Negra (Nieve Negra) é mais um filme argentino que traz Ricardo Darín em papel de destaque. Desta vez, o ator interpreta Salvador, que vive isolado na Patagônia desde que a adolescência, quando foi culpado por ter matado o caçula da família. Décadas depois, um outro irmão retorna ao lugar onde a tragédia aconteceu. É Marcos (Leonardo Sbaraglia) que, acompanhado de sua esposa Laura (Laia Costa), surgem com o objetivo de convencê-lo a vender as terras que herdaram.

Salvador, logo de cara, demonstra ser um típico ermitão amargurado e não dá as boas vindas mais calorosas às visitas inesperadas. Marcos e Laura, por sua vez, tentam uma aproximação aqui, outra conversa acolá. Todas malsucedidas. O que não fica claro é o que realmente de fato aconteceu no passado que acabou culminando na morte do jovem irmão. Desse modo, o filme intercala os conflitos atuais com flashbacks distantes, fazendo com que os personagens revivam memórias dolorosas e perturbadoras.

É assim que o longa-metragem incorpora elementos como uma paleta de cores inclinada a tons mais azulados, e cenas externas cobertas por neve, à narrativa. Neve Negra não se afoba, vai sendo construído de forma lenta, instigante e entrega os instantes de tensão em momentos adequados. O resultado é uma sensação de desconforto gerada pela união de uma estética severamente gélida e um ritmo aparentemente descompromissado.

A maneira em que o roteirista e diretor Martin Hodara mescla os eventos atuais com os eventos que já aconteceram, além de ter uma função importante em termos narrativos uma vez que irá nos revelar o segredo familiar, é feita de uma maneira condizente com a premissa da história. Isso porque as memórias surgem como verdadeiros fantasmas e são retratadas ao público como se coexistissem com o presente, o que causa perturbação e incômodo.

O terceiro ato do filme revela uma informação surpreendente e é a partir dela que podemos compreender melhor as personalidades e ações dos personagens. Em relação à atuação, o elenco que compõe a trinca principal acerta ao interpretar papeis dúbios, dos quais passamos a desconfiar. E apesar de Ricardo Darín e Leonardo Sbaraglia conseguirem criar uma dupla ambivalente, talvez seja  Laura, interpretada por Laia Costa, a criação mais interessante devido a sua postura diante de um conflito familiar no qual acabara de se enfiar.

Frio, tenso e perturbador, Neve Negra é um suspense preocupado em sua estrutura narrativa e engajado em por em discussão alguns aspectos sombrios da natureza humana. Outro acerto dos nossos hermanos.

Recomendamos:

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.