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Crítica do filme “A morte te dá os parabéns”

“A morte te dá os parabéns” (Happy Death Day) estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 12 de outubro (Crédito: divulgação).

Fui surpreendido positivamente pelo filme “A morte te dá os parabéns” (Happy Death Day), que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 12 de outubro. Não é uma obra-prima ou a nova grande maravilha do cinema, mas me divertiu bastante.

Mas, como assim divertiu, se é um filme de terror? Para explicar melhor, vou voltar ao início dos anos 2000 quando os irmãos Wayans lançaram o longa “Todo Mundo em Pânico”. A partir dali, talvez sem querer, foi iniciada uma nova fase do Slasher Movie – subgênero de filmes de terror que fez muito sucesso nos anos 90. A sátira fez piadas com todos os grandes clichês presentes nas produções do tipo e a tendência, pós “Todo Mundo em Pânico”, é que o espectador ache graça e até um pouco de “tosquice” nas cenas de perseguição e assassinato nos filmes do gênero, por mais séria que a cena seja.

Só que ao invés de tentar eliminar a tendência trash e cômica das cenas, o roteiro e direção de “A morte te dá os parabéns” – sob comando de Christopher Landon – vai no caminho oposto. Ele se aliou à comédia e faz graça do que poderia parecer tosco, como as cenas das mortes e os clichês dos filmes do gênero, por exemplo. O longa tem comédia, tem momentos de sustos e suspense, tem drama e até romance. Ele consegue, de forma despretensiosa, prender e divertir.

O longa tem comédia, tem momentos de sustos e suspense, tem drama e até romance. Ele consegue, de forma despretensiosa, prender e divertir (Crédito: divulgação).

 

Feitiço do Tempo

“A morte te dá os parabéns” conta a história de Tree Gelbman (Jessica Rothe), uma universitária que, no dia do seu aniversário, é assassinada por um misterioso mascarado. Só que ao morrer, ela acorda como no dia anterior e, mesmo tentando alterar sua rotina, o assassino sempre a persegue e a mata novamente. Presa no mesmo dia, cada morte significa uma nova chance para que ela crie situações com o intuito de eliminar os suspeitos e tentar desvendar o mistério para que possa, enfim, se libertar da armadilha temporal.

Aqui, a produção assume o primeiro grande risco: repetir uma fórmula já trabalhada em “Feitiço do Tempo” (Groundhog Day) e outros filmes com o mesmo mote, onde o personagem acorda, repetidamente, vivendo o mesmo dia várias vezes. A chance de não apresentar nada de novo era imensa, mas “A morte te dá os parabéns” apresentou e, inclusive, faz uma menção (bem engraçada) ao filme estrelado por Bill Murray.

O segundo grande risco da produção foi rechear o filme com todos os clichês do gênero: mascarado com uma faca; mocinha correndo e tomando sempre as decisões erradas de fugas; ambientes lotados que ficam vazio de repente; reviravoltas na descoberta de quem é o assassino; falta de luz em momentos cruciais e por aí vai.

Temos então um filme recheado de clichês + uma fórmula repetida. Portanto, o longa tinha tudo para dar errado, mas, de forma surpreendente e com muita competência, não deu.

Jessica Rothe é a estrela de “A morte te dá os parabéns” (Crédito: divulgação).

E um dos motivos que ajudou o filme a se sair bem foi a atuação de Jessica Rothe (La La Land), que conduziu, deu ritmo e viveu, com grande habilidade, todas as facetas que a personagem assume e revela ao longo da história. Espero vê-la em breve em outro papel de destaque.

Enfim, confesso que fui ver “A morte te dá os parabéns” sem muitas expectativas e acho que foi justamente aí, na despretensão, que a produção conseguiu seu ponto alto. Vale a ida ao cinema, mesmo para quem não curte muito o gênero, como é o meu caso. Vale pela a diversão.

 

 

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