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Crítica do filme “Lucky”

“Lucky” estreia nesta quinta-feira, 7 de dezembro, nos cinemas brasileiros (crédito: divulgação).

Um filme com a cara da academia e que provavelmente terá seu nome anunciado como indicado, no dia 23 de janeiro, em pelo menos em uma categoria à estatueta mais cobiçada do cinema mundial. Esse é o “Lucky”, longa americano que estreia nesta quinta-feira, 7 de dezembro, nos cinemas brasileiros.

A produção marca a estreia de John Carroll Lynch na direção. O ator conhecido em Hollywood por diversos papeis secundários – como o do Mac McDonald em The Founder (Fome de Poder) – faz um belo trabalho em sua primeira experiência atrás das câmeras. O roteiro foi assinado por Drago Sumonja e Logan Sparks.

A História

“Lucky” conta a história de um senhor, de 90 anos, que vive sozinho em uma minúscula cidade no meio do deserto. A produção acompanha sua solitária rotina, que vai desde o acordar todos os dias no mesmo horário, resolver palavras cruzadas, assistir games shows na TV, comprar leites e cigarros na mercearia da cidade e tomar uma blood mary conversando com amigos no bar.

O roteiro não tem uma trama específica ou grandes reviravoltas. Ele mostra a vida de um homem que vive, sem muitas expectativas, esperando o dia em que seu fim chegará. É um filme sobre o tempo, sobre a vida – mais do que a morte –, sobre o envelhecer…

 

Personagem/ator ou ator/personagem?

O filme é – e foi feito para – o grande Harry Dean Stanton, que dá a vida ao protagonista. Aqui, vida real e ficção se entrelaçam a todo momento. Fotos reais do ator compõem as estantes do personagem. As memórias do tempo em que serviu à marinha na guerra como cozinheiro fazem parte da história da vida de ambos, que, também, nunca casaram.

Harry Dean Stanton está brilhante no filme e faz com que o espectador se envolva mais com o personagem do que com a própria trama (crédito: divulgação).

Mas, o destino encarregou de encontrar uma diferença: no filme, Lucky não morre. Na vida real, sim. Harry Dean Stanton faleceu no dia 15 de setembro deste ano, menos de três meses antes de seu derradeiro trabalho ser apresentado aos olhos do grande público.

Essa triste coincidência eleva o tom melancólico do filme em mais alguns pontos e faz com que uma indicação ao Oscar como melhor ator possa pintar como um merecido reconhecimento e homenagem ao seu belo trabalho.

Stanton, aos 90 anos, está presente em praticamente todos os momentos da produção, esbanjando uma simpatia que faz com que o espectador, em certo momentos, até se envolva mais com o personagem do que com a própria trama.

Do lado de cá do telão, a gente vai se apegando ao rabugento e divertido Lucky aos poucos e, no final, percebe que está completamente envolvido com o carisma do personagem.

 

Tempo

A trama traz uma narrativa lenta, no mesmo ritmo da fase da vida que é retratada na produção. É lento, mas não arrastado.

A trilha sonora – utilizando a gaita como protagonista e melancólicos boleros latinos – ajuda a compor, com maestria, o cenário do Oeste americano. Adiciona-se imagens do deserto, morros, cactos e terra vermelha.

A fotografia do longa chama atenção desde o início da exibição. Alternando planos abertos e imagens fechadas, John Carroll Lynch entrega um bonito trabalho. É um filme muito bem feito estética e estruturalmente.

Lucky é um belo trabalho cinematográfico, mas não é um filme comercial. Não é um longa para ser apreciado por todos. É um típico filme de festival com cara de produção independente. É uma homenagem à vida e obra de Harry Dean Stanton.

Lucky é suave, engraçado e contemplativo. É poético e metafórico. É leve, é lindo!

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