Crítica do Filme “Jumanji: Bem-Vindo à Selva”

Nos tempos de hoje, a indústria cinematográfica aposta cada vez mais em remakes, reboots e revivals de velhas franquias. Muito pelo apelo nostálgico, que já garante certo público cativo, mas também pela simples falta de ideias originais. Infelizmente, na maioria das vezes, ressuscitar velhos filmes resulta ou em um produto totalmente irrelevante, ou em algo que pode até manchar a linda e sacra imagem do produto original. Em outros (raríssimos) casos, surpreende a todos e simplesmente dá certo. Jumanji: Bem-Vindo a Selva é um ótimo exemplo de um “remake” que funciona.

Bem-Vindo a Selva soube homenagear o Jumanji de 1995 (estrelado pelo falecido Robin Williams) e criar algo novo e excitante sem ofender o legado do original. No primeiro filme, duas crianças jogam um jogo de tabuleiro mágico (o Jumanji) que traz ao mundo real diversos tipo de animais que instauram o caos por toda a cidade. Para inverter a situação, e salvar o personagem de Williams, que está preso dentro do jogo a mais de vinte anos, as crianças precisam jogar o Jumanji até o fim. Em Bem-Vindo a Selva, Jumanji ainda é um jogo, no entanto dessa vez é um videogame (representado por um velho cartucho dos anos 90, por sinal).

Quatro adolescentes, muito diferentes um do outro, ficam em detenção na escola no mesmo dia: Spencer, o nerd viciado em videogames, “Fridge”, o jogador de futebol americano durão, Bethany, a típica patricinha norte-americana, e Martha, uma garota bastante insegura. Durante a detenção, Fridge acha um velho console de videogame e o grupo decide jogar junto para passar o tempo. O jogo, então, pede para que cada um escolha o seu personagem, que serve como um avatar pessoal dentro do Jumanji.

De repente, eles são sugados para dentro do jogo e instruídos a completar a história caso queiram sair daquele mundo, cada um encarnando o seu respectivo personagem. Essa é a grande sacada de Bem-Vindo a SelvaThe Rock (o famoso explorador Smolder Bravestone) interpreta um nerd covarde, Kevin Hart (o zoologo Franklin Finbar) encarna o papel do atlético Fridge, Jack Black (o cartógrafo Sheldon Oberon) interpreta uma garota que só pensa em selfies e Karen Gillan (a especialista em artes marciais Ruby Roundhouse) é uma jovem envergonhada e que não sabe se expressar muito bem. Os adolescentes acabam escolhendo personagens que representam o total oposto das suas personalidades e os atores realizam um fenomenal trabalho em fazer o público acreditar que são outras pessoas dentro do corpo deles. Vale lembrar que o ex-Jonas Brothers, Nick Jonas, também se junta ao grupo eventualmente e possui um papel importante no desenvolvimento da aventura, no entanto, embora Jonas protagonize alguns momentos fantásticos com Jack Black, o seu personagem é certamente o mais sem graça da turma principal.

A trama é simples e tá tudo certo, ela não precisava ser muito complicada mesmo. A ação é constante e a história não perde muito tempo explicando quais são as regras dessa realidade, mas os momentos onde o filme deixa claro que eles estão sim em um videogame foram muito bem executados. A roupagem de videogame vestiu como uma luva esse mundo que agora finalmente conhecemos por dentro, e não só por eventos aleatórios invadindo o cotidiano. O mundo de Jumanji realmente parece estático e programado, enquanto um grupo de heróis lendários (e com uma consciência própria) atravessam as diferentes áreas, enfrentam os mais perigosos obstáculos e tomam cuidado para não perder uma das suas três vidas – naturalmente, se os jogadores perderem todas elas, também morrem no mundo real, colocando um risco bastante presente durante o desenrolar da história.

Provavelmente Jumanji: Bem-Vindo a Selva será rapidamente esquecido e não vai adquirir o mesmo status de clássico absoluto do filme original, porém Bem-Vindo a Selva também é uma das melhores comédias dos últimos tempos. Para quem quiser começar 2018 dando umas boas risadas sem compromisso, o filme é uma aposta certa.

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