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Crítica do filme: “Human Flow – Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir”

“Human Flow – Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir” estreia no brasil nesta quinta, 16. (Crédito: divulgação).

Estreia nesta quinta-feira, 16 de novembro, o documentário “Human Flow – Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir”, do cineasta chinês Ai Weiwei. Durante o filme, o artista se mostra muito mais do que um diretor. Ele dá as caras como ativista que é e não fica apenas por trás das câmeras. Ele participa dos regastes, ajuda em reconstruções, conversa e consola com a experiência de ser um ex-refugiado, filho de um perseguido político que também se viu obrigado a deixar seu país.

E essa “obrigação” de sair da sua terra natal é bem retratada durante o longa, que apresenta os mais diversos motivos, como guerra civil, miséria, perseguição política, embates religiosos, entre outros.

Durante um ano, o diretor acompanhou a situação de refugiados em 40 campos de 23 países, coletando mais de mil horas de imagens e depoimentos que mostram a realidade e denunciam o descaso das autoridades em enfrentar, de frente, esse problema que atinge uma parte considerável da população do mundo.

 

Fotografia e Tempo

A fotografia do filme foi realizada de forma competente, mesmo sem inovações, entregou um bom resultado final. O diretor usa, muito bem, técnicas de planos abertos com imagens feitas por drones, planos cartesianos e ângulos retos com as linhas dos horizontes dividindo a tela. Regra dos terços e simetria de enquadramentos também foram utilizados pelo cineasta em diversas cenas do filme.

Nos depoimentos dos refugiados, o entrevistado sempre aparece centralizado na tela e, às vezes, alguns close-ups nos rostos dos imigrantes fazem uma comunicação não-verbal, que, sem usar uma palavra, as feições dos refugiados gritam aos ouvidos do espectador.

O filme é de Ai Weiwei, que se mostra muito mais do que um diretor. Ele dá as caras como ativista que é. (Crédito: divulgação).

Com 2h20 de duração, a produção é bem extensa, porém, totalmente compreensível para quem tinha um rico material bruto de mais de mil horas de gravação. Imagine o apego que o Weiwei criou com todo o conteúdo, com cada história retratada e cada cena captada. Não deve ter sido tarefa fácil ir para a edição com um material como esse.

E tem mais. Diante do que o espectador vê diante de seus olhos, até a questão do tempo se torna relativo. O que representa 2h20 em confortáveis poltronas de cinema se comparados à vida que aquelas pessoas estão levando? Dias intermináveis, em imensos campos de refugiados, alguns com condições subumanas, expostos a animais selvagens e doenças infectocontagiosas?

 

Conteúdo

Ai Weiwei usa o documentário para cumprir seu papel de informar, debater e denunciar sobre a delicada temática. Com caracteres, durante todo o filme, o diretor apresenta números, dados alarmantes e informações sobre os tratados internacionais da situação dos refugiados no mundo.

Inclusive, de forma muito inteligente, o diretor contrapõe – com imagens da realidade e dados oficiais – os depoimentos superpositivos dos líderes mundiais sobre o tema.

A crise de refugiados é grave e o filme não vem para apresentar soluções. Vem para questionar e para denunciar (Crédito: divulgação).

E os números realmente são alarmantes, mas não chocam tanto quanto personificá-los. Enxergar pessoas de todas as classes sociais e idades, principalmente crianças e idosos, naquela situação, nos machucam como seres humanos. É impossível não se colocar no lugar deles, se vendo obrigados a fugir de seu país, da sua casa, e partirem rumo ao desconhecido em lugares onde não são bem-vindos.

É um filme que merece ser visto para nos municiarmos de informações e nos tornamos mais sensíveis à causa. O fato é grave e o filme não vem para apresentar soluções. Vem para questionar e para denunciar. E, nesse quesito, ele cumpre perfeitamente sua função.

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