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Crítica do filme “Corpo e Alma”

O grande vencedor do Urso de Ouro na 67.ª edição do Festival de Berlim, que aconteceu em fevereiro deste ano, só agora desembarca em solo brasileiro. O longa húngaro “Corpo e Alma” (Testről és lélekről / On Body and Soul) estreia nos cinemas do país nesta quinta-feira, 21 de dezembro.

O filme é dirigido pela cineasta húngara Ildikó Enyedi e está entre os nove indicados para a segunda fase da seleção na categoria de Melhor Filme Estrangeiro para o Oscar 2018. “Corpo e Alma” é o único filme da lista dirigido por uma mulher e a expectativa é que o longa seja anunciado, no dia 23 de janeiro, entre os cinco concorrentes à estatueta dourada.

A Trama

O longa conta a história de Endre (Géza Morcsányi), um triste e solitário diretor de finanças de um abatedouro bovino, que carrega consigo marcas de relacionamentos anteriores fracassados. Sem o movimento de um dos braços, Endre se tranca em seu universo solitário, dedicando-se exclusivamente à vida profissional.

Já no início da trama, surge Mária (Alexandra Borbély), a nova responsável pelo controle de qualidade do frigorífico. De perfil duro e extremamente rígido, as atitudes pouco simpáticas da nova profissional a afasta completamente do convívio dos outros colegas.

Certo dia, um acontecimento no abatedouro faz com que uma psicóloga tenha que traçar o perfil de todos os funcionários. A especialista acaba descobrindo que Endre e Mária têm exatamente o mesmo sonho durante as noites: eles são cervos em busca de comida em meio a uma floresta congelada. A partir daí a trama se desenvolve, alternando a busca dos protagonistas pelo autoconhecimento enquanto conhecem, ao mesmo tempo, um ao outro.

O filme é dirigido pela cineasta húngara Ildikó Enyedi (ao centro) e está entre os nove pré-selecionados a Melhor Filme Estrangeiro para o Oscar 2018 (crédito: divulgação).

O Filme

Já de início, o filme entrega uma bela fotografia, com luz em tons cinzentos retratando o frio e melancolia da vida dos protagonistas. O ritmo do longa é em geral lento, com uma leve acelerada na segunda metade.

O roteiro se mostra bem interessante e criativo e os personagens são os pontos altos do filme. Tanto Mária quanto Endre são muito bem construídos e de uma riqueza incomum nos dias de hoje. À medida que a trama vai se desenvolvendo, os atores vão se entregando e o expectador é convidado, subitamente, a adentrar nos dramas e incertezas de cada um dos dois.

E, aqui, tenho que destacar a atuação e sintonia do casal. Principalmente de Borbély, que tem uma interpretação de destaque. Com movimentos robotizados e mecânicos (e isso não é uma crítica negativa), a protagonista arranca os mais variados sentimentos do público pela personagem.

O texto é inteligente e diz muito sem falar, usando outras formas de linguagem e isso é ótimo. Sempre que utilizadas, essas alternativas me agradam muito.

A diretora consegue entregar um produto rico tanto em texto quanto em imagens, alternando leveza e brutalidade, sutileza e densidade, poesia e arte. Tem uma cena específica que é espetacular e arrebatadora. Uma obra, que poderia ser emoldurada e exposta em uma galeria.

“Corpo e Alma” é um romance dramático, com leve pitadas de humor. Um belo produto cinematográfico para quem aprecia cinema que marca e vai além do que é dito e mostrado na grande tela.

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