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Crítica do filme “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola”

O filme estreia nos cinemas no dia 12 de outubro (Crédito: Divulgação)

Em um mundo onde todas as opiniões parecem ser obrigadas a permear os extremos e o meio termo é quase uma opção inexistente, Danilo Gentili representa um ápice dessa polarização. Politicamente Correto ou Politicamente Incorreto? Geração Nutella ou Geração Raiz? Gênio ou Idiota? Geralmente, tudo que envolve o humorista trafega entre os dois opostos e uma das maiores habilidades de Gentili é, sem dúvidas, provocar polêmica.

E, se esse um dos objetivos do filme “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola” – que estreia no próximo dia 12 de outubro – é causar, com certeza absoluta, ele conseguiu. O longa vai dar o que falar e vai ser motivo de intermináveis debates acalorados nas redes sociais.

Baseado no livro que tem o mesmo nome, escrito pelo humorista, o filme conta a história de dois estudantes que sempre tiveram boas notas – Pedro (Bruno Munhoz) e Bernardo (Daniel Pimentel) – que encontram um antigo caderno e vão em busca do autor (o próprio Gentili) para aprender como transformar a escola em um caos sem serem pegos.

O filme tem a direção do estreante Fabrício Bittar.

Daniel Pimentel (Bernardo) e Bruno Munhoz (Pedro) em cena do filme (Crédito: Divulgação).

Humor tem qualidade?

O longa é um retrato fiel ao humor feito por Danilo. Alterna momentos engraçados, piadas legais, que arrancam gargalhadas do público, com outras ocasiões de extremos mau gosto, cenas desnecessárias que geram ânsia de vômito e vontade de levantar e sair do cinema.

“Como se tornar o pior aluno da escola” tenta fazer graça com todos os temas que possam se apresentar como polêmico, talvez numa afronta proposital à sociedade do politicamente correto e a tentativa de resgatar um humor sem podas dos anos 80. Para as piadas, são utilizados assuntos mais recorrentes nas comédias infanto-juvenis como bullyng, porém também perpassam por outras temáticas de gostos mais duvidosos como bebidas na infância, religião e até pedofilia. Sim! O filme tentar fazer graça com pedofilia.

No geral, o longa tem uma estética agradável, que lembra muito os filmes “Diário de um banana”, utilizando rabiscos e ilustrações feitos à mão na composição da identidade visual. Além do cenário da escola e do melhor amigo acima do peso, as comparações com o filme americano param por aqui. O humor sem apelação e ingênuo do longa hollywoodiano está distante do filme brasileiro, que buscou o caminho completamente oposto.

Falando em ingenuidade, como citado no início do texto, “Como se tornar o pior aluno da escola” será lançado nos cinemas no dia 12 de outubro, justamente o dia das crianças. Porém, não é um filme indicado para todas as idades. O longa recebeu classificação indicativa, do Ministério da Justiça, de 14 anos.

Mais grave que o nível das piadas é a mensagem que a produção passa para crianças e adolescentes, em um momento que já é tão conturbado por natureza. A principal lição que fica é que, assim como o humorista, a criança não precisa se dedicar a estudar todas aquelas fórmulas chatas que são ensinadas nos ambientes escolares durante a infância e adolescência. Qualquer um pode tornar a escola um caos, ter total desinteresse nos estudos e mesmo assim vencer na vida, que, segundo o filme, é sinônimo de ter uma rotina regada a luxo, mulheres, bebidas e diversão. Uma mensagem bastante perigosa (talvez até irresponsável) a ser propagada para pessoas nessa faixa etária.

O longa é um retrato fiel ao humor feito por Danilo. Alterna momentos engraçados com ocasiões de extremos mau gosto (Crédito: Divulgação)

Tenho que destacar a atuação do Carlos Villagrán, conhecido como o Quico do seriado Chaves. O ator – que interpreta o diretor da escolar (Ademar) – chama atenção desde a primeira aparição e rouba a cena com muito desenvoltura, mesmo com os notórios problemas com a língua, já que ele usa um portunhol que às vezes fica até difícil de entender.

Carlos Villagrán, conhecido como o Quico do seriado Chaves, interpreta o diretor da escolar, Ademar. (Crédito: Divulgação).

Destaque também para Moacyr Franco, que aparece muito bem com um personagem que reúne todos as características do politicamente incorreto. Agora, a participação do Fábio Porchat é totalmente desprezível. Não pela atuação e sim pelo o que o papel representa: o melhor aluno de hoje é o pedófilo e profissional medíocre de amanhã.

Para encerrar, o filme reflete toda a polarização em torno da imagem de Gentili. Por esse motivo, acredito que seja um filme feito para os fãs ou para aqueles que conhecem e apreciam o trabalho realizado pelo humorista. Pois, com o longa, a polarização deve se intensificar: fãs vão lotar as salas de cinema, vão amar, rir e falar que é a melhor comédia de todos os tempos. O outro lado, àqueles que não gostam do Danilo, sequer vão assistir, mas vão tecer as maiores críticas nas redes sociais.

E você? Está de qual lado? Eu, sigo o caminho do meio. E, sim, ele existe.

 

P.S.: “Como se tornar o pior aluno da escola” finaliza com a indicação de uma sequência (dessa vez na faculdade) e o próprio Danilo Gentili já declarou que a ideia é fazer uma triologia da história. Ou seja, a polêmica vai continuar.

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