Registro POP

Crítica do filme “Boneco de Neve”

Boneco de Neve (The Snowman) estreia nesta quinta-feira, 23 de novembro, nos cinemas brasileiros (crédito: divulgação).

Um filme estranho e confuso. Esse é o Boneco de Neve (The Snowman) que estreia nesta quinta-feira, 23 de novembro, nos cinemas brasileiros.

Sabe aquela produção cinematográfica que tem tudo para ser boa? Eis que temos um caso clássico.

Um diretor com trabalhos elogiáveis (Tomas Alfredson – Deixe ela entrar / O Espião Que Sabia Demais); um roteirista que já desenvolveu adaptações interessantes da literatura para o cinema (Matthew Michael Carnahan – Guerra Mundial Z); uma produção executiva de, ninguém menos que, Martin Scorsese; um elenco com nomes como Michael Fassbender (Assassin’s Creed) e o premiado J.K. Simmons (vencedor do Oscar de ator coadjuvante em Whiplash) e um best seller mundial de suspense, comparado pelo The Guardian a Silêncio dos Inocentes.

Junte tudo isso e me responda: é possível não dar certo? Infelizmente, é.

 

A história

O filme começa com um misterioso sumiço de uma mulher e a única pista deixada foi um cachecol enrolado ao pescoço de um boneco de neve em frente à sua casa.

A detetive Katrine Bratt (Rebecca Ferguson) é designada para o caso e conta, como parceiro de investigações, com Harry Hole (Fassbender) – um policial com um passado brilhante, mas com um presente afundado no álcool e depressão.

À medida que os dois começam a trabalhar no caso, surgem novos desaparecimentos com as mesmas características, o que fazem com que os dois comecem a seguir linhas de investigações e acreditam estar diante de um serial killer.

A premissa é muito boa, mas a partir daí o filme se perde. Tentando desviar as atenções da identidade do verdadeiro assassino, o diretor aprofundou demais em personagens e tramas que não tem ligação nenhuma com a história. Se esses momentos fossem deletados, as quase duas horas de filme cairia para uns 40 minutos facilmente. E o tão esperado desfecho é vivido em uns 15 minutos, de forma rápida, confusa, estranha e cheia de falhas técnicas.

A participação do ótimo J.K. Simmons é totalmente dispensável à trama e as aparições do estranhíssimo e plastificado Val Kilmer (Batman Eternamente) é algo que beira a bizarrice.

O tão esperado desfecho é vivido em uns 15 minutos, de forma rápida, confusa, estranha e cheia de falhas técnicas (créditos: divulgação).

Justificativas

Diante da enxurrada de críticas recebidas depois das primeiras apresentações do filme no Reino Unido, o diretor Alfredson tentou se justificar afirmando que “nosso período de filmagens na Noruega era muito curto. Não tínhamos ainda toda a história com a gente e quando começamos a editar percebemos que muita coisa ficou faltando”.

Não que justifique, mas essa fala explica muita coisa. A impressão percebida na sala de cinema é justamente que, principalmente no ato final, a edição e montagem foram remendadas, malfeitas e sem muita explicação lógica.

Mas, apesar de tudo, acho que as críticas vindas da Europa foram pesadas demais. O filme tinha um potencial que não foi bem aproveitado e aqui está a grande questão: a alta expectativa criada em torno da produção foi proporcional ao tamanho da decepção. Mas, de forma geral, não está na minha lista de piores filmes de 2017. Vi muita coisa abaixo disso neste ano.

Para quem gosta de suspense policial, histórias com serial killer e não é muito exigente com um roteiro totalmente amarrado, vale esperar a chegada do filme na TV a cabo para assistir, sem muitas expectativas. No cinema, não. Definitivamente, economize o dinheiro do seu ingresso para ver coisa melhor.

Recomendamos:

Comentário(s)

Curta-nos:

Siga-nos:

Siga-nos: