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Crítica do filme “As aventuras do Capitão Cueca”

A animação "As aventuras do Capitão Cueca" estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta, 12 de outubro. (Crédito: divulgação).

Uma animação com o selo da DreamWorks estreando no feriado de 12 de outubro, dia da criança. É impossível que as expectativas geradas para “As aventuras do Capitão Cueca” não sejam as mais altas e as melhores possíveis. Baseado na série de livros e sucesso mundial, de Dav Pilkey, o filme fala sobre a amizade de dois criativos, imaginativos e inquietos amigos: Jorge Beard e Haroldo Hutchins.

Companheiros inseparáveis, eles se completam em tudo, principalmente no senso de humor e na arte de fazer arte. Parecem ler os pensamentos um do outro e tem criatividade de sobra para estarem sempre aprontando, ou melhor, preparando as melhores “pegadinhas”, como é tratado no filme.

Haroldo Hutchins e Jorge Beard são amigos inseparáveis que só aprontam confusões (Crédito: divulgação).

Mas, o grande passatempo da dupla é criar histórias em quadrinhos para distribuírem na escola. Na casa da árvore, o QG do dois, Jorge cria os textos e Haroldo faz as ilustrações, principalmente em torno das aventuras do seu principal personagem: o Capitão Cueca.

Certo dia, ao serem pegos pelo temido diretor Krupp, eles conseguem hipnotizá-lo com um anel que veio de brinde em uma caixa de cereais e o malvado se transforma no Super-Herói atrapalhado que usa roupa baixas e uma cortina vermelha como capa. E a trama se desenvolve a partir daí. Temos um herói não convencional, um vilão que quer acabar com a alegria do mundo e uma história leve, com piadas bem infantis, destinadas ao público da faixa etária de 10 anos.

Com direção assinada por David Soren (que dirigiu Turbo em 2013), a animação, a dublagem e os efeitos visuais são muito bons, com uma riqueza de detalhes incríveis. As ilustrações – com nível bem acima da média – fogem um pouco dos padrões convencionais do estúdio hollywoodiano já que são baseadas nos traços de Dav Pilkey. Os efeitos em 3D também trazem bons jogos de câmera e de perspectiva que brincam com o espectador.

O filme cativa, mais pela animação e pelos personagens, do que pela história em si. Cativa, mas não marca (Crédito: divulgação).

Já a história é bem fiel ao texto da série de livros escritos por Pilkey, porém sem o ritmo dos “quadrinhos”. O livro oferece mais “munições” para que a criança desenvolva a criatividade e crie os próprios detalhes do enredo em sua imaginação. Já a adaptação para o filme é mais preguiçosa nesse ponto e dá algo pronto, às vezes meio bobo demais. Em resumo: gostei muito da parte “técnica” da animação e acho que, de forma geral, o filme se apresentou mais do que mostrou. Ele cativa, mais pela animação e pelos personagens, do que pela história em si. Cativa, mas não marca. Dias após assistir, certamente, ele já será esquecido.

Minha dica: De um up à experiência no feriado. Além de ir ao cinema com seu filho(a) / sobrinho(a) / afilhado(a), compre um dos livros da série e dê de presente para ele(a). De leitura fácil, muito bem ilustrado e até interativo, o livro é uma opção mais completa do que a animação para os cinemas.

Primeiro livro da Série que inspirou o filme. (Crédito: divulgação).

 

Adendo

Por questões de coerência, tenho que fazer aqui um adendo. Semana passada, na crítica do filme “Como se tornar o pior aluno da escola”, falei sobre a mensagem “Politicamente Incorreta” apresentada no longa e, coincidentemente, os dois últimos filmes que eu vi tem muito em comum: dois melhores amigos no ambiente escolar, que preparam as piores tramas e fazem de tudo para não serem pegos pelo diretor malvado.

Apesar de não apresentar nenhuma mensagem “politicamente correta”, com uma lição de moral no final, que geralmente é esperada por pais e responsáveis, “As aventuras do Capitão Cueca” foca principalmente na história de amizade entre os dois garotos. Já o filme brasileiro não só omite a “lição”, como passa uma mensagem completamente contrária.

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