Crítica de filme: Despedida em Grande estilo

A proposta de Despedida em Grande Estilo (Going in Style) é simples, apesar de parecer absurda. Três senhores de idade, após saberem que a pensão que recebem será extinta, resolvem apelar para um plano extremo para que consigam pagar suas contas e manter suas vidas. Sem histórico algum de crimes, eles decidem que irão assaltar o banco do qual são clientes há anos.

A ideia surge quando Joe (Michael Caine) presencia pessoalmente um grupo de bandidos mascarados roubarem à mão armada uma agência bancária. Indignado com a exploração do banco, ele encara a contravenção que testemunhou como fonte de inspiração para sua empreitada futura. Quando conta o plano para os amigos Willie (Morgan Freeman) e Albert (Alan Arkin), eles hesitam num primeiro momento, mas acabam cedendo à ideia maluca. Não saber ao menos manejar uma arma ou furtar produtos de um supermercado são apenas detalhes com que eles parecem não se importar.

Como contar essa história senão de forma cômica? Parece impossível. É apelando justamente para a comédia que o longa, cuja produção é baseada em um filme homônimo de 1979, narra as peripécias dos três idosos iniciados no mundo do crime. Com base nisso, muitas situações passam pelo crivo da verossimilhança sem se preocuparem em parecer factíveis ou bem fundamentadas. Mesmo assim, há uma linha tênue entre apostar no extraordinário e abusar da boa fé do telespectador.

Não convencem como elementos narrativos, por exemplo, a participação de uma garotinha que surge no clímax da projeção. E a cena em que esta personagem aparece pela última vez, em câmera lenta, é simplesmente dispensável e sem propósito.  Outras cenas poderiam ser repensadas, como por exemplo, uma revelação final que é feita numa lanchonete. Se ao menos as piadas fossem engraçadas… Porém, o roteiro entrega diálogos com poucas falas genuinamente cômicas e muitas outras que podem até fazer rir, mas de constrangimento.

A película se perde também em alguns direcionamentos e sub-tramas que procura explorar. Como é o caso do relacionamento conturbado entre pai e filha, uma clara tentativa de conferir dimensão dramática à obra. Aliás, apesar de ser um filme sobre assalto, não há muita ação. Esse não seria um problema desde que determinados momentos, principalmente nos dois primeiros atos, não fossem tão morosos e entediantes. E mesmo que seja alegado que o motivo é porque a história também busca focar no relacionamento dos três personagens principais, não é uma defesa satisfatória já que o tratamento dado aos conflitos pessoais é genérico.

No fim das contas, o filme sobre assalto não consegue empolgar exatamente na sequência do tal assalto. Ao menos, o trio de atores experientes trabalha bem com o material que lhes foi dado. Não é nada de grandioso, mas cativam e imprimem carisma, inclusive o personagem ranzinza e pessimista do grupo. É uma pena que um filme como este, em que a história gira em torno de personagens da terceira idade, seja inconsistente. Sabe-se que essa faixa etária não é a das mais valorizadas e priorizadas pela indústria cinematográfica.

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