Críticas – Registro POP http://registropop.com.br Celebridades, televisão, cinema, música e mais Sat, 13 Jan 2018 01:16:58 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.9.1 http://registropop.com.br/wp-content/uploads/2017/01/cropped-Favicon-32x32.png Críticas – Registro POP http://registropop.com.br 32 32 Crítica do filme “O Touro Ferdinando” http://registropop.com.br/critica-do-filme-o-touro-ferdinando/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-o-touro-ferdinando/#respond Tue, 09 Jan 2018 23:03:40 +0000 http://registropop.com.br/?p=16391

Não é de hoje que as touradas, tradição espanhola, são um assunto polêmico. A prática de levar touros a grandes arenas e sacrificá-los diante de uma multidão, que assiste o espetáculo como se fosse uma partida de futebol, divide opiniões por justamente estar vinculada a, entre outras coisas, uma questão sociocultural. É justamente nesse terreno […]

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Não é de hoje que as touradas, tradição espanhola, são um assunto polêmico. A prática de levar touros a grandes arenas e sacrificá-los diante de uma multidão, que assiste o espetáculo como se fosse uma partida de futebol, divide opiniões por justamente estar vinculada a, entre outras coisas, uma questão sociocultural. É justamente nesse terreno arenoso que pisa o filme O Touro Ferdinando, uma animação de apelo infantil.

Baseado no roteiro do livro Ferdinando, o Touro, de autoria do escritor norte-americano Munro Leaf, o longa conta a história de um touro fora dos padrões. Mas o diferencial de Ferdinando não está em seu porte, muito pelo contrário, o animal é uma materialização da imagem mental que temos dos representantes de sua espécie: grande e corpulento. Sua particularidade está no fato de não se conformar com o destino traçado para si, que é o de se tornar um lutador feroz, irascível e opulente.

De personalidade dócil e amante das flores, Ferdinando acaba escapando da “Casa del Toro”, rancho que prepara os touros para os combates na arena. Assim, ele acaba encontrando em uma casinha campestre, onde vive uma garotinha chamada Nina, um lugar amoroso e familiar, diferente do ambiente competitivo de onde fugiu. Mas para que a narrativa desperte o mínimo de interesse, essa tranquilidade será totalmente perturbada…

Apesar de filmes com animais humanizados não ser novidade, a proposta de O Touro Ferdinando traz um tema que não é tão convencional. E o tom da narrativa acerta ao não vilanizar os personagens que alimentam a estrutura das touradas, apesar de assumirem claramente o papel de antagonista. A intenção aqui não é interferir no dilema da nação espanhola. Nesse sentido, a questão é tocada de forma leve e edulcorara, palatável ao público mais jovem.

A premissa do longa é universal, diz respeito a questões de aceitação e respeito às diferenças. A grande metáfora do filme está no paradoxo que é um touro, do qual se espera uma natureza impetuosa, ser extremamente delicado. E não há problema nisso. É interessante a utilização das flores como um recurso narrativo que liga a atmosfera bucólica à sensibilidade do personagem título, ao longo de todo o filme, apesar de beirar o piegas em vários momentos.

Para ajudar a contar essa história da forma sensível, que é o que a narrativa requer, os elementos de design de produção foram cruciais. São cenários bucólicos e simples que conferem ao longa um clima caloroso e pacífico. A utilização do 3D também não soa forçada. Sua função foi realmente aproveitada e gera cenas esteticamente bonitas e funcionais, os melhores exemplos são as cenas do último ato, em que há uma luta decisiva (paremos por aqui para não evitar spoilers).

Um ponto positivo do filme é o ritmo mais desacelerado. Há uma preocupação em narrar uma história e não se perder em piadinhas descartáveis ou num frenesi de gags em que muitas outras animações infantis investem. Nem por isso o longa é entediante. Por outro lado, um problema a ser destacado é a falta de carisma dos personagens. Até mesmo a personagem Lupe, uma cabra que deveria funcionar como alívio cômico tal qual o Burro de Shrek ou a Dory de Procurando Nemo, não desperta tanto interesse individual.

O Touro Ferdinando é um filme divertido e emocionante, que trata do já conhecido tema sobre aceitação e respeito às diferenças. A vantagem aqui é embarcar numa viagem a alguns dos costumes espanhóis, numa reconstrução cuidadosa em animação gráfica de povoados pequenos à grande Madrid.

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Crítica do Filme “Jumanji: Bem Vindo à Selva” http://registropop.com.br/critica-do-filme-jumanji-bem-vindo-selva/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-jumanji-bem-vindo-selva/#respond Wed, 03 Jan 2018 18:23:47 +0000 http://registropop.com.br/?p=16156

Nos tempos de hoje, a indústria cinematográfica aposta cada vez mais em remakes, reboots e revivals de velhas franquias. Muito pelo apelo nostálgico, que já garante certo público cativo, mas também pela simples falta de ideias originais. Infelizmente, na maioria das vezes, ressuscitar velhos filmes resulta ou em um produto totalmente irrelevante, ou em algo […]

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Nos tempos de hoje, a indústria cinematográfica aposta cada vez mais em remakes, reboots e revivals de velhas franquias. Muito pelo apelo nostálgico, que já garante certo público cativo, mas também pela simples falta de ideias originais. Infelizmente, na maioria das vezes, ressuscitar velhos filmes resulta ou em um produto totalmente irrelevante, ou em algo que pode até manchar a linda e sacra imagem do produto original. Em outros (raríssimos) casos, surpreende a todos e simplesmente dá certo. Jumanji: Bem-Vindo a Selva é um ótimo exemplo de um “remake” que funciona.

Bem-Vindo a Selva soube homenagear o Jumanji de 1995 (estrelado pelo falecido Robin Williams) e criar algo novo e excitante sem ofender o legado do original. No primeiro filme, duas crianças jogam um jogo de tabuleiro mágico (o Jumanji) que traz ao mundo real diversos tipo de animais que instauram o caos por toda a cidade. Para inverter a situação, e salvar o personagem de Williams, que está preso dentro do jogo a mais de vinte anos, as crianças precisam jogar o Jumanji até o fim. Em Bem-Vindo a Selva, Jumanji ainda é um jogo, no entanto dessa vez é um videogame (representado por um velho cartucho dos anos 90, por sinal).

Quatro adolescentes, muito diferentes um do outro, ficam em detenção na escola no mesmo dia: Spencer, o nerd viciado em videogames, “Fridge”, o jogador de futebol americano durão, Bethany, a típica patricinha norte-americana, e Martha, uma garota bastante insegura. Durante a detenção, Fridge acha um velho console de videogame e o grupo decide jogar junto para passar o tempo. O jogo, então, pede para que cada um escolha o seu personagem, que serve como um avatar pessoal dentro do Jumanji.

De repente, eles são sugados para dentro do jogo e instruídos a completar a história caso queiram sair daquele mundo, cada um encarnando o seu respectivo personagem. Essa é a grande sacada de Bem-Vindo a SelvaThe Rock (o famoso explorador Smolder Bravestone) interpreta um nerd covarde, Kevin Hart (o zoologo Franklin Finbar) encarna o papel do atlético Fridge, Jack Black (o cartógrafo Sheldon Oberon) interpreta uma garota que só pensa em selfies e Karen Gillan (a especialista em artes marciais Ruby Roundhouse) é uma jovem envergonhada e que não sabe se expressar muito bem. Os adolescentes acabam escolhendo personagens que representam o total oposto das suas personalidades e os atores realizam um fenomenal trabalho em fazer o público acreditar que são outras pessoas dentro do corpo deles. Vale lembrar que o ex-Jonas Brothers, Nick Jonas, também se junta ao grupo eventualmente e possui um papel importante no desenvolvimento da aventura, no entanto, embora Jonas protagonize alguns momentos fantásticos com Jack Black, o seu personagem é certamente o mais sem graça da turma principal.

A trama é simples e tá tudo certo, ela não precisava ser muito complicada mesmo. A ação é constante e a história não perde muito tempo explicando quais são as regras dessa realidade, mas os momentos onde o filme deixa claro que eles estão sim em um videogame foram muito bem executados. A roupagem de videogame vestiu como uma luva esse mundo que agora finalmente conhecemos por dentro, e não só por eventos aleatórios invadindo o cotidiano. O mundo de Jumanji realmente parece estático e programado, enquanto um grupo de heróis lendários (e com uma consciência própria) atravessam as diferentes áreas, enfrentam os mais perigosos obstáculos e tomam cuidado para não perder uma das suas três vidas – naturalmente, se os jogadores perderem todas elas, também morrem no mundo real, colocando um risco bastante presente durante o desenrolar da história.

Provavelmente Jumanji: Bem-Vindo a Selva será rapidamente esquecido e não vai adquirir o mesmo status de clássico absoluto do filme original, porém Bem-Vindo a Selva também é uma das melhores comédias dos últimos tempos. Para quem quiser começar 2018 dando umas boas risadas sem compromisso, o filme é uma aposta certa.

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Crítica do filme “Fala Sério, Mãe” http://registropop.com.br/critica-do-filme-fala-serio-mae/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-fala-serio-mae/#respond Wed, 27 Dec 2017 12:04:35 +0000 http://registropop.com.br/?p=16174

“Fala Sério, Mãe” estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 28 de dezembro (mas já está sendo exibido em sessões de pré-estreias em várias cidades do país) se tornou a comédia nacional mais aguardada do ano por reunir três ícones da atualidade: Ingrid Guimarães, que levou mais de 7 milhões de espectadores ao cinema com a franquia “De […]

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“Fala Sério, Mãe” estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 28 de dezembro (mas já está sendo exibido em sessões de pré-estreias em várias cidades do país) se tornou a comédia nacional mais aguardada do ano por reunir três ícones da atualidade: Ingrid Guimarães, que levou mais de 7 milhões de espectadores ao cinema com a franquia “De Pernas pro Ar”; a pop star teen Larissa Manoela e a autora de vários best-sellers adolescentes com mais de 2,2 milhões de livros vendidos, Thalita Rebouças.

O filme tem a direção de Pedro Vasconcelos, que dirigiu no cinema, este ano, o remake de “Dona Flor e seus dois Maridos” e “O concurso” e, na TV, esteve à frente do sucesso recente de “A Força do Querer”. Já o roteiro é assinado por Paulo Cursino (“De Pernas pro Ar”, “Um Suburnano Sortudo”, “Até que a Sorte nos Separe”), Dostoiewski Champagnatte e pela própria Ingrid Guimarães e é baseado no livro homônimo de Thalita Rebouças, que também contribuiu com o roteiro.

 

A História

O filme conta a história de Ângela Cristina (Ingrid Guimarães) e tem início na primeira gestação da protagonista. A trama repassa, de forma rápida e com bom humor, todas as etapas vividas por ela e seu marido, Armando (Marcelo Laham), desde a gravidez até o início da adolescência da primeira filha do casal, Maria de Lourdes / Malu (Larissa Manoela).

O longa acompanha o desenrolar da família até a maioridade da primogênita, retratando os conflitos familiares, principalmente com o foco na relação entre mãe e filha.

O filme reúne três ícones da atualidade: a pop star teen Larissa Manoela; a autora de vários best-sellers adolescentes com mais de 2,2 milhões de livros vendidos, Thalita Rebouças e Ingrid Guimarães, que levou mais de 7 milhões de espectadores ao cinema com a franquia “De Pernas pro Ar”  (crédito: divulgação).

Dois Olhares

Uma das boas sacadas do filme foi dividi-lo ao meio, mostrando os dois pontos de vista das envolvidas. Na primeira metade, o longa é visto com os olhos da mãe. Já na segunda, quem “assume a câmera” é a adolescente, que passa a entregar ao espectador as suas percepções.

Essa alternância de foco traz grandes benefícios à produção, como incluir, na mesma sala de cinema duas gerações diferentes, por exemplo. “Fala Sério, Mãe” não é um filme só para adolescentes, assim como não é um produto só para os pais. O texto da Thalita Rebouças consegue falar muito bem essas duas línguas que, em determinada fase da vida, parece ser uma missão impossível.

Outro resultado alcançado com esse artifício é o de mostrar que, mesmo em uma relação com conflitos naturais, não existem vilões ou mocinhos. Existem duas pessoas que se amam, mas que vivem momentos de vidas diferentes, com conceitos e tomadas de decisões igualmente divergentes.

 

A função do riso

Muito é debatido hoje em dia se o humor no cinema tem que, necessariamente, carregar uma mensagem ao final do riso. Eu, particularmente, acho que não é obrigatório, mas é uma chance a mais da produção obter destaque em um mercado com tanta opção “mais ou menos”.

O fato é que, assim como em “De Pernas para o Ar”, a atriz Ingrid Guimarães está à frente de um trabalho que faz rir, mas que oferece uma mensagem bem clara e interessante, só que com a temática diferente, lógico.

Aliás, ao ver Ingrid Guimarães atuar, a impressão que tenho é que sempre vejo a mesma personagem, mas ela é uma das poucas atrizes da geração que conseguem fazer rir e chorar com a mesma competência. Mais uma vez ela entrega uma atuação segura tanto nos momentos de humor quanto nas partes mais dramáticas.

A atuação da Larissa Manoela é um pouco menos destacada que de Ingrid, mas me surpreendeu positivamente. Com um início meio forçado e artificial, ela consegue segurar bem o papel no desenvolver do filme. A impressão é que ela vai conseguindo maturidade junto com a personagem, apesar de ter algumas derrapadas pelo caminho.

Por falar na personagem da Larissa, a Malu é outro ponto alto do texto de Thalita, pois é por meio dela que ela falará com os adolescentes sobre temas como sexualidade, relacionamento com a mãe e independência feminina, sempre de forma muito madura.

Crédito: divulgação.

Problemas

O filme tem alguns problemas. Para mim, o principal foi a edição. Em determinados momentos do longa – principalmente na parte inicial, de apresentação – a impressão é que ficaram faltando cenas, como o desfecho da terceira gestação da Ângela, por exemplo. Enquanto outras, parecem ter sido inseridas em momentos errados. Além disso, em algumas piadas, houve uma certa “forçação de barra” que não foi coerente com o tipo de humor utilizado no restante do filme.

Mas, de modo geral, o filme é bom, principalmente se comparado a outras comédias nacionais lançadas em 2017. Está muito acima da média. “Fala Sério, Mãe” entretém, diverte e chega a emocionar. Vale o programa em família.

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Crítica do Filme “O Rei do Show” http://registropop.com.br/critica-do-filme-o-rei-do-show/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-o-rei-do-show/#respond Mon, 25 Dec 2017 18:29:45 +0000 http://registropop.com.br/?p=16056

Musicais existem em uma dimensão paralela onde conflitos e resoluções são colocados em destaque através de números musicais espontâneos e por isso, naturalmente, não possuem muito compromisso com a realidade. Musicais são “espetaculosos”, trabalham diretamente com os sonhos e tendem a ser felizes. São um escape do dia-a-dia, da rotina e funcionam como um transporte […]

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Musicais existem em uma dimensão paralela onde conflitos e resoluções são colocados em destaque através de números musicais espontâneos e por isso, naturalmente, não possuem muito compromisso com a realidade. Musicais são “espetaculosos”, trabalham diretamente com os sonhos e tendem a ser felizes. São um escape do dia-a-dia, da rotina e funcionam como um transporte direto para um mundo de fantasia. Hollywood, na sua juventude, produzia musicais em massa exatamente por essa razão: o cinema era um espetáculo e necessitava de números musicais. Aspecto herdado com facilidade dos espetáculos tradicionais que precederam a sétima arte como o teatro e, é claro, o circo. Seria uma conclusão apenas natural fazer um musical cinematográfico sobre o circo e assim chega aos cinemas O Rei do Show.

O Rei do Show é levemente baseado na história real de P.T. Barnum (Hugh Jackman), fundador do famoso circo itinerante dos EUA, Barnum & Bailey Circus, e desse jeito confunde a linha de o quão real deve ser um musical. Esse não é um filme biográfico, O Rei do Show apenas empresta elementos da vida de Barnum para contar uma história grandiosa durante os vários atos musicais. Em meio a tanto espetáculo, o filme é tão simples quanto a mensagem que almeja passar: acredite nos seus sonhos e não esqueça das suas raízes.

A trama basicamente acompanha Barnum em sua jornada para construir o seu famoso circo, de uma infância bastante simples como um filho de um alfaiate até o inesperado sucesso de um circo protagonizado por um grupo de pessoas “exóticas”. Todos os arquétipos circenses estão presentes: a mulher barbada, o anão, o homem forte, trapezistas e vários outros do tipo. Inconformado por fazer sucesso apenas com o público geral e não ser respeitado pela alta sociedade, Barnum põe tudo em risco e eventualmente tem que perceber o que realmente vale a pena.

O longa tecnicamente está em produção desde 2009 já com Jackman no projeto, ator conhecido no circuito de musicais tendo atuado na Broadway e levado um prêmio Tony para casa, além de ter estrelado Os Miseráveis (2012), e só em 2016 escalaram outro ator cativo do cenário musical, Zac Efron (que conquistou a fama com High School Musical) para interpretar o sócio de Barnum, Phillip Carlyle. Talvez o longo tempo de produção seja o responsável pelo confuso produto final. Com músicas compostas pela dupla ganhadora do Oscar, Pasek and Paul, responsáveis pelo fenomenal La La Land no começo do ano, e com um elenco bastante talentoso e carismático, incluindo Michelle Williams (atriz multipremiada que também já atuou na Broadway) e Zendaya (oriunda do Disney Channel, assim como Efron), O Rei do Show tinha tudo para ser o espetáculo fabuloso que gostaria de ser, no entanto sempre aparenta faltar “algo”.

O filme certamente tem estilo, mas poderia ter muito mais para um musical com uma roupagem de circo. Até os números mais ousados ainda parecem meio seguros e não tão extravagantes quanto poderiam ser. O longa se passa no século XIX e todas as músicas são absurdamente pop e um tanto genéricas, o que poderia até ser uma contradição interessante, porém não funciona perante à qualidade das canções. As músicas lembram artistas como Katy Perry, Sia ou Ed Sheeran, mas com definitivamente menos “alma”. Esqueça os temas refinados e bem produzidos de La La Landnenhuma música de O Rei do Show é realmente memorável e isso é uma pena.

Acredito que todos os atores fazem um trabalho decente com o material que lhes foi entregue, entretanto aquela sensação de “vazio” também persegue as atuações, com exceção de Zendaya, que possui o único arco com uma certa humanidade palpável e entrega muito bem a sua performance. No entanto, a escalação da atriz, a de Zac Efron, e o exagero pop das composições, confundem bastante qual é público-alvo desse filme, que absolutamente não se sustenta como um bom musical “adulto”. A sensação que resta é que a história de P.T. Barnum poderia ser muito melhor aproveitada em vez de ser levemente usada como pano de fundo para um musical praticamente teen, com uma trama bastante genérica e canções que não levam nem cinco minutos para serem esquecidas.

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Crítica do filme “Corpo e Alma” http://registropop.com.br/critica-do-filme-corpo-e-alma/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-corpo-e-alma/#respond Wed, 20 Dec 2017 23:49:19 +0000 http://registropop.com.br/?p=15974

O grande vencedor do Urso de Ouro na 67.ª edição do Festival de Berlim, que aconteceu em fevereiro deste ano, só agora desembarca em solo brasileiro. O longa húngaro “Corpo e Alma” (Testről és lélekről / On Body and Soul) estreia nos cinemas do país nesta quinta-feira, 21 de dezembro. O filme é dirigido pela […]

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O grande vencedor do Urso de Ouro na 67.ª edição do Festival de Berlim, que aconteceu em fevereiro deste ano, só agora desembarca em solo brasileiro. O longa húngaro “Corpo e Alma” (Testről és lélekről / On Body and Soul) estreia nos cinemas do país nesta quinta-feira, 21 de dezembro.

O filme é dirigido pela cineasta húngara Ildikó Enyedi e está entre os nove indicados para a segunda fase da seleção na categoria de Melhor Filme Estrangeiro para o Oscar 2018. “Corpo e Alma” é o único filme da lista dirigido por uma mulher e a expectativa é que o longa seja anunciado, no dia 23 de janeiro, entre os cinco concorrentes à estatueta dourada.

A Trama

O longa conta a história de Endre (Géza Morcsányi), um triste e solitário diretor de finanças de um abatedouro bovino, que carrega consigo marcas de relacionamentos anteriores fracassados. Sem o movimento de um dos braços, Endre se tranca em seu universo solitário, dedicando-se exclusivamente à vida profissional.

Já no início da trama, surge Mária (Alexandra Borbély), a nova responsável pelo controle de qualidade do frigorífico. De perfil duro e extremamente rígido, as atitudes pouco simpáticas da nova profissional a afasta completamente do convívio dos outros colegas.

Certo dia, um acontecimento no abatedouro faz com que uma psicóloga tenha que traçar o perfil de todos os funcionários. A especialista acaba descobrindo que Endre e Mária têm exatamente o mesmo sonho durante as noites: eles são cervos em busca de comida em meio a uma floresta congelada. A partir daí a trama se desenvolve, alternando a busca dos protagonistas pelo autoconhecimento enquanto conhecem, ao mesmo tempo, um ao outro.

O filme é dirigido pela cineasta húngara Ildikó Enyedi (ao centro) e está entre os nove pré-selecionados a Melhor Filme Estrangeiro para o Oscar 2018 (crédito: divulgação).

O Filme

Já de início, o filme entrega uma bela fotografia, com luz em tons cinzentos retratando o frio e melancolia da vida dos protagonistas. O ritmo do longa é em geral lento, com uma leve acelerada na segunda metade.

O roteiro se mostra bem interessante e criativo e os personagens são os pontos altos do filme. Tanto Mária quanto Endre são muito bem construídos e de uma riqueza incomum nos dias de hoje. À medida que a trama vai se desenvolvendo, os atores vão se entregando e o expectador é convidado, subitamente, a adentrar nos dramas e incertezas de cada um dos dois.

E, aqui, tenho que destacar a atuação e sintonia do casal. Principalmente de Borbély, que tem uma interpretação de destaque. Com movimentos robotizados e mecânicos (e isso não é uma crítica negativa), a protagonista arranca os mais variados sentimentos do público pela personagem.

O texto é inteligente e diz muito sem falar, usando outras formas de linguagem e isso é ótimo. Sempre que utilizadas, essas alternativas me agradam muito.

A diretora consegue entregar um produto rico tanto em texto quanto em imagens, alternando leveza e brutalidade, sutileza e densidade, poesia e arte. Tem uma cena específica que é espetacular e arrebatadora. Uma obra, que poderia ser emoldurada e exposta em uma galeria.

“Corpo e Alma” é um romance dramático, com leve pitadas de humor. Um belo produto cinematográfico para quem aprecia cinema que marca e vai além do que é dito e mostrado na grande tela.

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Crítica do filme “#UberxTáxis” http://registropop.com.br/critica-do-filme-uberxtaxis/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-uberxtaxis/#respond Thu, 14 Dec 2017 12:02:52 +0000 http://registropop.com.br/?p=15927

Para quem é de Brasília e gosta de prestigiar e valorizar produções locais e independentes, vale o programa. Na próxima segunda-feira, 18 de dezembro, será realizada a pré-estreia do documentário “#UberxTáxis”, no Cine Brasília, às 20h. A entrada é franca, porém limitada à capacidade da sala que é de 600 pessoas. O documentário é assinado […]

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Para quem é de Brasília e gosta de prestigiar e valorizar produções locais e independentes, vale o programa. Na próxima segunda-feira, 18 de dezembro, será realizada a pré-estreia do documentário “#UberxTáxis”, no Cine Brasília, às 20h. A entrada é franca, porém limitada à capacidade da sala que é de 600 pessoas.

O documentário é assinado pelo gaúcho radicado em Brasília Maurício Costa. “#UberxTáxis” é o segundo trabalho do cineasta, também responsável pelo #EraDosGigantes” de 2016.

O longa mostra o cenário, as análises e opiniões sobre o processo da entrada e regulamentação dos aplicativos de transporte individuais como Uber, Cabify e 99. A produção tem Brasília como espaço principal, porém apresenta breves pinceladas e comparações do processo de entradas desses apps em outros locais do país e do mundo.

Delimitação do Tema

Um dos grandes méritos – e talvez o maior risco – de um bom documentário é a delimitação do tema. A medida que o processo de pesquisa vai avançando, novas informações e elementos são aprensentados, fazendo com que a vontade de encaixá-los no roteiro se torne uma tentação.

Aqui, temos um documentário que inicia com o embate apresentado no título: “Uber x Táxi”, mas, com o passar dos minutos, o espectador perceberá que a discussão vai muito além, adentrando em temas mais complexos como política de mobilidade urbana, transporte público, desemprego, trabalho escravo, qualificação profissional, segurança, assédio sexual, entre outros.

Os embates que podem parecer essenciais para alguns, talvez se tornem cansativos e dispensáveis para outros. Até onde deve ir o aprofundamento do tema para não deixar o debate raso e superficial? Isso, dependerá da visão e do que espera cada espectador.

O visual entregue no produto é muito agradável, principalmente para quem é e gosta de Brasília (crédito: divulgação).

Conteúdo e Técnica

O que o documentário fez de melhor foi mostrar o mesmo tema com dois pontos de vista opostos, que resultou em uma polarização do discurso em: “tradicional x moderno”. Essa dicotomia está reluzente aos nossos olhos em cada detalhe de seus defensores: nas roupas, no visual, na utilização da língua portuguesa, nos argumentos, em tudo e em todos os momentos.

A parte técnica é muito bem-feita no documentário, ainda mais se observarmos “#UberxTáxis” com o olhar que ele merece ser visto: uma produção independente, sem financiamentos externos.

O visual entregue no produto é muito agradável, principalmente para quem é e gosta de Brasília. Tomadas aéreas mostram a Capital Federal por diversos ângulos durante todo o filme (mesmo que algumas imagens não aparentam ter muita ligação com o conteúdo). O diretor utiliza elementos gráficos como tweets, manchetes de jornais e box de e-mails, que não são novidades, mas sempre funcionam. E a trilha compõe bem o cenário, passando o clima de velocidade e o agito do trânsito nos dias de hoje e o momento tenso vivido no momento que o documentário retrata.

Apesar de, em determinado momento, o documentário ter me cansado (por exemplo, um deputado disse a mesma coisa em três falas diferentes), no geral, é uma produção que ficará na história. Daqui a 10, 20, 30 anos vamos ver esse documentário e não vamos acreditar que houve tanta polêmica por isso. Além disso, é muito bem produzido, dirigido e é um produto nosso.

Enfim, quem é de Brasília, vale prestigiar: segunda-feira, 18 de dezembro, 20h, no Cine Brasília. Quem não é, entra na fan page da produção e vejam diretamente com eles sobre a distribuição na sua cidade.

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Crítica do Filme “Assim é a Vida” http://registropop.com.br/critica-do-filme-assim-e-vida/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-assim-e-vida/#respond Wed, 13 Dec 2017 17:58:39 +0000 http://registropop.com.br/?p=15886

Conhecidos como os diretores e roteiristas do filme francês de maior sucesso de todos os tempos, Intocáveis (2011), Eric Toledano e Olivier Nakache seguem a sua parceria, produzindo novos filmes em sua terra natal. Embora seus últimos filmes se encaixem mais no gênero de dramas leves, tratando de temas sensíveis com toques de comédia, Intocáveis […]

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Conhecidos como os diretores e roteiristas do filme francês de maior sucesso de todos os tempos, Intocáveis (2011), Eric Toledano e Olivier Nakache seguem a sua parceria, produzindo novos filmes em sua terra natal. Embora seus últimos filmes se encaixem mais no gênero de dramas leves, tratando de temas sensíveis com toques de comédia, Intocáveis sobre um milionário tetraplégico redescobrindo a vida e Samba (2014) sobre um imigrante ilegal que acaba por ser preso, o novo filme da dupla, Assim é a Vida, segue mais a linha de uma comédia pura e funciona muito bem nesse papel, arrancando com facilidade mais risadas do que muitas atuais comédias “genéricas” de Hollywood.

A trama lida com várias situações e personagens ao mesmo tempo ao longo de um grande evento, enquanto o organizador desse evento serve como o protagonista que “lidera” as várias narrativas. Max (Jean-Pierre Bacri) é um esquentado e, já bastante cansado, organizador de eventos que não vê a hora de se aposentar e espera que o casamento de Pierre (Benjamin Lavernhe) e Helena (Judith Chemla) seja o seu último. Max coordena esse mega matrimônio em um antigo castelo do século XVII e espera que nada dê errado, porém, naturalmente, quase nada dá certo. Só resta a ele pedir constantemente para que a sua equipe saiba se adaptar enquanto ele continua lidando com o frenesi instaurado por uma festa desse porte.

Entre todos os numerosos acontecimentos que tentam impedir o sucesso do casamento, temos a assistente de Max, Adele (Eye Haidara), que enfim teve a oportunidade de preparar um evento sozinha, mas a sua personalidade forte entra em conflito constante com o resto da equipe, principalmente com DJ James (Gilles Lellouche), animador de festa contratado de última hora que foge bastante da temática “calma e com classe” que o noivo perfeccionista tanto espera do casamento. Adele faz um favor para um amigo, Samy (Alban Ivanov), e o contrata como garçom, no entanto ele tem 0 experiência e não é muito inteligente, naturalmente provocando algumas situações bem difíceis de serem resolvidas ao longo do evento. Max também contrata o seu enteado como um favor, o ex-professor de francês, Julien (Vincent Macaigne) que logo encontra uma velha paixão e mais atrapalha do que ajuda. Para coroar todo esse encontro de pessoas excêntricas, um velho amigo de Max, o fotógrafo Guy (Jean-Paul Rouve), frustrado pelo advento das câmeras de celular, pouco se importa com o seu trabalho e prefere gastar o seu tempo comendo a comida e dando em cima das mulheres.

Esses são apenas os personagens mais “centrais” e alguns exemplos, das diversas circunstâncias que Max e toda a equipe têm que lidar para garantir a integridade da festa. Mesmo com tanto para se resolver, o ritmo nunca se perde e os diretores conseguem equilibrar os eventos com perfeição. As situações aumentam em intensidade e o filme sempre parece estar indo para algum lugar, sem se tornar cansativo, o que é até natural em uma história com um limite de tempo (o dia do casamento). Os personagens, embora sejam numerosos, são muito bem construídos e não é nada difícil se importar cada vez mais com eles e sentir genuína curiosidade sobre como as coisas vão se desenvolver para cada um.

E como um tempero perfeito para o ritmo frenético da trama, temos a trilha sonora original de Avishai Cohen, um jazz fusion de muito bom gosto, além dos vários momentos musicais (muitas vezes hilários) protagonizados por DJ James, onde ele improvisa letras em italiano e até em português, na sua própria versão de Garota de Ipanema. A música, em geral, é bastante presente no longa e vale citar uma das melhores cenas do filme, protagonizada por um inesperado e inspirado momento de música mediterrânea. Ela acontece já perto do final e é um momento leve de catarse e beleza muito bem-vindo.

Assim é a Vida é uma comédia leve e divertida, com vários personagens complexos e bem motivados, jogados juntos em meio a situações cotidianas, mas que não falham em surpreender em diversos momentos. É uma comédia francesa dando uma aula de como se fazer uma boa comédia. Vale a pena ser assistido e dar umas boas risadas com Max e toda a sua equipe.

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Crítica do Filme “Em Busca de Fellini” http://registropop.com.br/critica-do-filme-em-busca-de-fellini/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-em-busca-de-fellini/#respond Thu, 07 Dec 2017 16:15:29 +0000 http://registropop.com.br/?p=15822

Não é todo diretor de cinema que consegue inspirar outros filmes sobre a sua vida ou o seu trabalho, geralmente só os nomes mais consagrados da indústria realizam esse feito. Federico Fellini, também conhecido como Il Maestro (O Mestre), não é qualquer diretor de cinema. Conhecido pela poesia quase etérea dos seus filmes, lotados de […]

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Não é todo diretor de cinema que consegue inspirar outros filmes sobre a sua vida ou o seu trabalho, geralmente só os nomes mais consagrados da indústria realizam esse feito. Federico Fellini, também conhecido como Il Maestro (O Mestre), não é qualquer diretor de cinema. Conhecido pela poesia quase etérea dos seus filmes, lotados de magia e fantasia, mas sempre tratando da humanidade mais do que qualquer coisa, Fellini encantou audiências ao redor do mundo inteiro e influenciou um enorme número de diretores, como Stanley Kubrick, Woody Allen, Martin Scorsese, e continua influenciando vários outros até os dias de hoje. O diretor italiano acumulou diversas honras e prêmios do mundo cinematográfico, inclusive conquistando o Oscar de melhor filme estrangeiro dois anos seguidos: em 1957 por A Estrada da Vida e em 1958 por Noites de Cabíria. Em 1964, um dos seus filmes mais conhecidos, 8 1/2, ganha a sua terceira estatueta, e em 1993, o ano de sua morte, a academia concede ao diretor o Oscar honorário pelo conjunto de toda a sua obra.

Alguns anos atrás, a mega-produção Nine (2009) homenageava 8 1/2 de Fellini e em 2017, Em Busca de Fellini traz ao cinema uma homenagem a toda a obra do diretor, mas não é objetivamente um filme sobre ele. Semi-baseado na história da própria roteirista, Nancy Cartwright, que em 1985 foi à Itália com a esperança de conhecer Fellini, o filme trata da jornada um tanto abstrata de Lucy (Ksenia Solo), uma garota de 20 anos perdida em fantasias idealistas e românticas, herdadas pela influência de sua mãe (Maria Bello) e os filmes que elas sempre assistiram juntas. Após um evento súbito que aflige a perfeita relação de Lucy e sua mãe, Lucy segue para a cidade grande para tentar conseguir um emprego. Nada ocorre como esperado, no entanto Lucy encontra alguma fagulha de inspiração após comparecer a uma exibição de A Estrada da Vida durante um festival que acontecia na cidade. Algo nos filmes de Fellini fala com Lucy em um nível muito pessoal e ela decide ir para Itália para tentar conversar com o diretor.

A trama do filme em si parece não importar muito, o foco são as experiências. O que acontece nem sempre parece muito real, mas os sentimentos envolvidos com certeza são. O filme se passa em 1993, ano da morte de Fellini, e Lucy, portando apenas uma pilha de fitas VHS, consegue o telefone do escritório pessoal do diretor e   marca um encontro com ele através de um assistente. Experiências “concretas” não parecem interessar muito e a jornada de Lucy segue quase com um sonho na maioria das vezes. A influência do próprio Fellini é clara. Referências visuais e temáticas à obra do diretor italiano são constantes e são, de certa forma, confirmadas dentro do contexto do próprio filme, o que garante que até espectadores que não conhecem muito bem o diretor compreendam o que está sendo referenciado.

Lucy caminha pelas ruas de cidades italianas como Florença, Veneza e Roma cegamente seguindo algo que nem ela mesmo sabe o propósito. A personagem é apresentada como sonhadora ao extremo, ingênua e inocente, que não sabe muito bem o que quer fazer ou o que gosta, mas acha que encontrar Fellini vai resolver algo dentro dela. Lucy claramente está buscando algo durante toda a duração do longa e é um tanto agoniante, e igualmente libertador, acompanhar alguém tão despreparado enquanto se aventura sozinha pela Itália sem dinheiro, sem malas e sem saber falar italiano. Lucy é quase como uma tela em branco. O mundo constantemente interage com Lucy e ela é tão nova em frente a tudo, que serve como o “avatar” perfeito para quem está vendo o filme e aprendendo sobre esse mundo de sonhos junto com ela. A jornada de Lucy com certeza incita curiosidade e faz com que o espectador genuinamente se importe com a personagem e torça para que ela encontre “isso” que ela tanto quer encontrar, seja Frederico Fellini, o amor, ou provavelmente ela mesma.

O filme só funciona graças ao fabuloso trabalho de Ksenia Solo como Lucy. Não é fácil interpretar uma personagem que transmite tanto do que ela pensa através de gestos e olhares, e a atriz definitivamente consegue. O filme é sobre Lucy e como o mundo exterior se apresenta a ela e para nós espectadores. E junto à maravilhosa performance de Solo o que mais ajuda a compôr essa atmosfera etérea é a fotografia, mais precisamente a iluminação. O filme trabalha com cores e tons constantemente: do tom azulado e frio de Cleveland no começo do filme, com o tom aconchegante e amarelado do cinema no qual Lucy vê o primeiro filme de Fellini, até a Itália cheia de vida, cor e sol, mas que dependendo do humor de Lucy pode também perder a sua cor.

A exposição de luz é muito presente ao longo de todo o filme – momentos banhados por luz compõem a beleza particular e a atmosfera de sonho do filme, além das várias personagens excêntricas e situações confusas típicas de Fellini. Como citado por um dos personagens do filme: “a bela confusão”. Em busca de Fellini é uma bela confusão.

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Crítica do filme “Lucky” http://registropop.com.br/critica-do-filme-lucky/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-lucky/#respond Thu, 07 Dec 2017 03:42:12 +0000 http://registropop.com.br/?p=15825

Um filme com a cara da academia e que provavelmente terá seu nome anunciado como indicado, no dia 23 de janeiro, em pelo menos em uma categoria à estatueta mais cobiçada do cinema mundial. Esse é o “Lucky”, longa americano que estreia nesta quinta-feira, 7 de dezembro, nos cinemas brasileiros. A produção marca a estreia […]

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Um filme com a cara da academia e que provavelmente terá seu nome anunciado como indicado, no dia 23 de janeiro, em pelo menos em uma categoria à estatueta mais cobiçada do cinema mundial. Esse é o “Lucky”, longa americano que estreia nesta quinta-feira, 7 de dezembro, nos cinemas brasileiros.

A produção marca a estreia de John Carroll Lynch na direção. O ator conhecido em Hollywood por diversos papeis secundários – como o do Mac McDonald em The Founder (Fome de Poder) – faz um belo trabalho em sua primeira experiência atrás das câmeras. O roteiro foi assinado por Drago Sumonja e Logan Sparks.

A História

“Lucky” conta a história de um senhor, de 90 anos, que vive sozinho em uma minúscula cidade no meio do deserto. A produção acompanha sua solitária rotina, que vai desde o acordar todos os dias no mesmo horário, resolver palavras cruzadas, assistir games shows na TV, comprar leites e cigarros na mercearia da cidade e tomar uma blood mary conversando com amigos no bar.

O roteiro não tem uma trama específica ou grandes reviravoltas. Ele mostra a vida de um homem que vive, sem muitas expectativas, esperando o dia em que seu fim chegará. É um filme sobre o tempo, sobre a vida – mais do que a morte –, sobre o envelhecer…

 

Personagem/ator ou ator/personagem?

O filme é – e foi feito para – o grande Harry Dean Stanton, que dá a vida ao protagonista. Aqui, vida real e ficção se entrelaçam a todo momento. Fotos reais do ator compõem as estantes do personagem. As memórias do tempo em que serviu à marinha na guerra como cozinheiro fazem parte da história da vida de ambos, que, também, nunca casaram.

Harry Dean Stanton está brilhante no filme e faz com que o espectador se envolva mais com o personagem do que com a própria trama (crédito: divulgação).

Mas, o destino encarregou de encontrar uma diferença: no filme, Lucky não morre. Na vida real, sim. Harry Dean Stanton faleceu no dia 15 de setembro deste ano, menos de três meses antes de seu derradeiro trabalho ser apresentado aos olhos do grande público.

Essa triste coincidência eleva o tom melancólico do filme em mais alguns pontos e faz com que uma indicação ao Oscar como melhor ator possa pintar como um merecido reconhecimento e homenagem ao seu belo trabalho.

Stanton, aos 90 anos, está presente em praticamente todos os momentos da produção, esbanjando uma simpatia que faz com que o espectador, em certo momentos, até se envolva mais com o personagem do que com a própria trama.

Do lado de cá do telão, a gente vai se apegando ao rabugento e divertido Lucky aos poucos e, no final, percebe que está completamente envolvido com o carisma do personagem.

 

Tempo

A trama traz uma narrativa lenta, no mesmo ritmo da fase da vida que é retratada na produção. É lento, mas não arrastado.

A trilha sonora – utilizando a gaita como protagonista e melancólicos boleros latinos – ajuda a compor, com maestria, o cenário do Oeste americano. Adiciona-se imagens do deserto, morros, cactos e terra vermelha.

A fotografia do longa chama atenção desde o início da exibição. Alternando planos abertos e imagens fechadas, John Carroll Lynch entrega um bonito trabalho. É um filme muito bem feito estética e estruturalmente.

Lucky é um belo trabalho cinematográfico, mas não é um filme comercial. Não é um longa para ser apreciado por todos. É um típico filme de festival com cara de produção independente. É uma homenagem à vida e obra de Harry Dean Stanton.

Lucky é suave, engraçado e contemplativo. É poético e metafórico. É leve, é lindo!

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Crítica do filme “Extraordinário” http://registropop.com.br/15762-2/ http://registropop.com.br/15762-2/#respond Sat, 02 Dec 2017 02:31:16 +0000 http://registropop.com.br/?p=15762

Que filme! Talvez nunca uma produção cinematográfica teve um título tão coerente como este: “Extraordinário” (Wonder)! É difícil encontrar um outro adjetivo para o longa que estreia nos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira, 7 de dezembro. Mas, para quem não aguenta mais esperar por esse filme – que um dos mais aguardados do ano – […]

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Que filme! Talvez nunca uma produção cinematográfica teve um título tão coerente como este: “Extraordinário” (Wonder)! É difícil encontrar um outro adjetivo para o longa que estreia nos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira, 7 de dezembro. Mas, para quem não aguenta mais esperar por esse filme – que um dos mais aguardados do ano – tenho uma boa notícia: ele entrou em pré-estreia nesse final de semana, 2 e 3 de dezembro, em diversas cidades do país.

Se pelo trailer você sentiu um nó na garganta, compre uma caixa de lenço, o ingresso do cinema e vá.

O filme

Baseado no livro homônimo de R. J. Palacio – um best seller nova iorquino – o filme é dirigido por Stephen Chbosky (As Vantagens de Ser Invisível) e roteiro ficou com Steve Conrad (À Procura da Felicidade / A Vida Secreta de Walter Mitty) e Jack Thorne.

O longa conta a história de Auggie Pullman (Jacob Tremblay), uma criança de 10 anos que nasceu com uma desordem craniofaciax congênita e vai começar a frequentar a escola pela primeira vez. Sim! Só isso já tem tudo para emocionar, certo? Mas, o filme – que corria um sério risco de oferecer um drama forçado cheio de piegas e clichês – entrega um humor leve, uma história incrível e vários momentos de emoção.

A história perpassa pelo drama de Auggie e adentra nos conflitos e na forma como os outros membros da família enxergam a situação: a mãe Isabel (Julia Roberts), o pai Nate (Owen Wilson) e a irmã Via (Izabela Vidovic). Ao mesmo tempo, o longa conta a rotina do menino no seu primeiro ano de escola.

 

Os astros

Impossível falar do filme sem falar das atuações. Chega a ser assustador o tamanho da maturidade de Jacob Tremblay (10 anos à época da gravação) em cena. Se em “O Quarto de Jack” ele já despontou pelo potencial, em “Extraordinário” ele se afirma de vez, a ponto de merecer uma incontestável indicação ao Oscar.

Além de Tremblay, o núcleo infantil se apresenta muito bem. Noah Jupe (Jack Will), Millie Davis (Summer) e Bryce Gheisar (Julian) se destacam e trazem uma verdade nos sentimentos apresentados. Eles trafegam entre a sinceridade, o afeto, a amizade e a crueldade, características do mundo infantil.

Julia Roberts entrega tudo que tem e mostra que está em um momento especial da carreira, com uma atuação que repassa todos os medos, incertezas e angústias naturais de uma mãe. Em diversos momentos, ela não precisa de textos ou de outros artifícios linguísticos para nos entregar, de bandeja, toda suas emoções e dúvidas, com uma interpretação facial carregada, porém na medida certa. Acho que, aqui, também vale uma indicação a atriz coadjuvante na maior premiação do cinema mundial.

Jacob Tremblay se afirma de vez, a ponto de merecer uma incontestável indicação ao Oscar (crédito: divulgação)

Para finalizar sobre as atuações, é necessário citar – a não menos competente – Izabela Vidovic (Via) que nos faz mergulhar em sua trama pessoal, que tem de enfrentar a adolescência em um cenário conturbado como a irmã sempre esquecida e deixada em segundo plano. A brasileira Sonia Braga tem uma participação pequena, mas importante na trama, como avó de Via e Auggie.

 

E tem mais

Apesar de deixar transparecer alguns problemas comuns em adaptações da literatura para o cinema, o roteiro – de modo geral – está em um nível bem acima do que foi apresentado no ano. O texto é limpo, direto e leve. Não há uma trama específica. Não há como contar spoilers. O filme é sobre uma família que – apesar de se mostrar diferente – após meia hora de filme você percebe que é como qualquer outra. É como a minha. É como a sua.

Outros destaques: Edição – a forma que apresenta os personagens, como em livros, se mostrou bastante inteligente – e maquiagem, pois tornar Jacob Tremblay irreconhecível, real e apaixonante é a comprovação de um trabalho bem feito.

Ator, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Edição e Maquiagem. Em uma lista de dez, ainda dá para entrar como melhor filme (crédito: divulgação)

Se eu gostei? Ator, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Edição e Maquiagem. Em uma lista de dez, ainda dá para entrar como melhor filme.

Porém, independentes de prêmios, é um filme para rir, chorar, pensar na vida, na forma como você enxerga a diferença dos outros e como os outros te veem.

Se é para ser visto no cinema? Essa é uma produção para ser vista no cinema, em casa, no celular, no computador… “Extraordinário” é um daqueles filmes que daqui há anos você vai estar mudando de canal, ele vai estar reprisando e você não vai conseguir passar. Vai parar e assistir mais uma vez. É simplesmente apaixonante, inesquecível e “Extraordinário”.

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