Críticas – Registro POP http://registropop.com.br Celebridades, televisão, cinema, música e mais Sun, 17 Jun 2018 03:34:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.9.6 http://registropop.com.br/wp-content/uploads/2017/01/cropped-Favicon-32x32.png Críticas – Registro POP http://registropop.com.br 32 32 Crítica do Filme “Jogador Nº 1” http://registropop.com.br/critica-do-filme-jogador-no-1/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-jogador-no-1/#comments Fri, 30 Mar 2018 00:25:28 +0000 http://registropop.com.br/?p=20909

Jogador Nº 1 é uma daquelas grandes e empolgantes aventuras que chegam a emocionar dentro do cinema, lembrando bastante o sentimento dos clássicos oitentistas de Steven Spielberg durante o seu auge, como E.T. – O Extraterrestre (1982) os filmes de Indiana Jones (1981-1989) ou até a clássica franquia De Volta Para o Futuro (1985-1990), que […]

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Jogador Nº 1 é uma daquelas grandes e empolgantes aventuras que chegam a emocionar dentro do cinema, lembrando bastante o sentimento dos clássicos oitentistas de Steven Spielberg durante o seu auge, como E.T. – O Extraterrestre (1982) os filmes de Indiana Jones (1981-1989) ou até a clássica franquia De Volta Para o Futuro (1985-1990), que Spielberg atua como produtor executivo. O filme não apenas se assemelha tematicamente a esses clássicos, como também referencia os seus elementos constantemente, incluindo aspectos de toda a cultura pop dos últimos 40 anos, mas com um claro foco na década de 80.

Baseado no livro homônimo escrito por Ernest Cline, Jogador Nº 1 é uma aventura de ficção científica ambientada em um futuro distópico onde a poluição, o aquecimento global e a superpopulação deixaram as grandes cidades em um deprimente estado de ruína, fazendo com que as pessoas passem a maior parte do seu tempo dentro do famoso jogo de realidade virtual conhecido como Oásis. O recluso e visionário criador do jogo, James Halliday (Mark Rylance), incorporando uma verdadeira mistura entre Steve Jobs e Willy Wonka, lança, após a sua morte, um desafio a todos os jogadores – encontrar o easter egg, um segredo guardado por três chaves, dentro do Oásis e assim herdar as suas ações da empresa, meio trilhão de dólares e adquirir total controle do mundo do jogo.

O protagonista, Wade Watts (Tye Sheridan) é um jovem gunter (egg hunter – caçador de ovos) que mora nas favelas da cidade de Columbus junto com a sua tia. Encarnando o seu avatar Parzival, Wade está, junto a vários outros jogadores, há 5 anos em busca das chaves de Halliday dentro do Oásis. Entretanto, não são só os gunters independentes que estão atrás do segredo, uma megacorporação conhecida como IOI, responsável pela fabricação de maioria dos equipamentos utilizados para acessar o Oásis, possui o seu próprio exército (os sixers), uma grande quantidade de recursos, e está determinada em almejar o controle do jogo de qualquer maneira, inclusive pelo mundo real.

Eventualmente, o primeiro desafio é descoberto e relevado a todos os jogadores: uma corrida frenética que envolve um feroz Tiranossauro Rex e o infame gorila gigante, King Kong. Ninguém nunca conseguiu completar a corrida e Parzival, e o seu melhor amigo, o mecânico virtual, Aech, passam por várias tentativas frustradas de vencer e adquirir a primeira chave. No entanto, não é até eles conhecerem a vlogger e streamer, Art3mis (Olivia Cooke), que a dupla enfim consegue avançar no placar. O “clã” informal formado por Parzival, Aech, Art3mis e os irmãos japoneses Daito e Sho, fica conhecido ao redor do Oásis como The High Five, os primeiros no placar geral e os jogadores mais próximos de alcançar o cobiçado easter egg, colocando-os, principalmente Wade, diretamente na mira da IOI, e deixando nas mãos do grupo a responsabilidade de proteger o futuro desse mundo virtual tão importante para todos.

O mundo do Oásis é rico em detalhes, cheio de referências e composto por efeitos especiais incríveis – o contraste entre a Columbus insossa e pouco explorada, e a realidade mágica e colorida do Oásis é gritante. Não é nada difícil entender o porquê das pessoas passarem tanto tempo dentro dessa simulação. As possibilidades são quase infinitas: inúmeros estilos de jogos, tipos de avatares e localizações diferentes que são apresentadas com maestria dentro do longa. A construção e a representação do mundo, unidos às vastas referências à cultura pop, já seriam o bastante para entreter e justificar a existência do filme por si só, mas Jogador Nº 1 também conquista o seu espaço como um filme de ação e aventura bastante competente.

Vale a pena frisar que além dos diversos momentos de ação delirantes (de intensas corridas a grandes guerras), não é só de caos que vive o Oásis, e também podemos presenciar alguns belos momentos de respiro durante o frenesi da narrativa. Uma das cenas mais bonitas da trama, por exemplo, é quando dentro de uma boate virtual, o casal principal se une às pessoas que dançam pelo ar e, livres das amarras da gravidade, iniciam uma dança voadora visualmente espetacular e cheia de tensão entre os dois. No final da sequência, a história é jogada diretamente de volta à ação, mas o momento de calma em meio à tempestade funciona e é muito bem-vindo.

A enxurrada de cameos causa surpresas constantes: o longa conta com aparições de personagens como Mechagodzilla, RX-78-2 Gundam (o robô principal do clássico animê Mobile Suit Gundam), Chucky (Brinquedo Assassino, de 1988), Tracer (de OverWatch), Master Chief (da série Halo), o Gigante de Ferro (direto da animação homônima de 1999), Spawn (dos quadrinhos) e até do Batman. Mesmo que alguns desses personagens só apareçam de relance, a enxurrada de elementos nostálgicos nunca acaba. Durante o desafio da corrida, por exemplo, Parzival dirige um Delorean (carro icônico de De Volta Para o Futuro) e Art3mis dirige a clássica moto de Kaneda (da animação Akira, de 1988). A nostalgia também está fortemente presente na agradável trilha sonora, recheada de clássicos oitentistas, que vai (literalmente) de Van Halen a Hall & Oates. O filme é um prato cheio de saudades para quem cresceu nos anos 80/90.

Jogador Nº 1 tem uma duração bastante longa (2h20) e ainda assim existe muito a ser explicado e algumas coisas acabam se perdendo: o mundo real quase não é explorado, os personagens possuem arcos fracos e quase nenhuma história de origem, e grande parte da trama é apresentada através de exposição em forma de narração. Só que o filme é divertido do começo ao fim, legitimamente engraçado em vários momentos e conta com um elenco de atores extremamente carismáticos e que se encaixam perfeitamente nos seus respectivos papéis. Diversão é a palavra-chave de Jogador Nº 1. A produção como um todo definitivamente consegue superar os seus poucos pontos fracos e é ótimo reencontrar o velho Steven Spielberg fazendo o que ele faz de melhor.

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Crítica do Filme “Círculo de Fogo: A Revolta” http://registropop.com.br/critica-do-filme-circulo-de-fogo-a-revolta/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-circulo-de-fogo-a-revolta/#respond Thu, 22 Mar 2018 16:32:50 +0000 http://registropop.com.br/?p=20604

Círculo de Fogo, a ficção científica de lutas entre monstros e mechas gigantes, produzido e dirigido pelo recente ganhador do Oscar, Guillermo del Toro, surpreendeu positivamente em 2013 e se transformou em um pequeno clássico do gênero. O filme definitivamente não brilha pela originalidade do seu roteiro, pelo contrário, a trama consiste em uma coleção […]

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Círculo de Fogo, a ficção científica de lutas entre monstros e mechas gigantes, produzido e dirigido pelo recente ganhador do Oscar, Guillermo del Toro, surpreendeu positivamente em 2013 e se transformou em um pequeno clássico do gênero. O filme definitivamente não brilha pela originalidade do seu roteiro, pelo contrário, a trama consiste em uma coleção de clichês ambulantes, Del Toro, no entanto, soube abraçar esse aspecto. O clima clichê e meio brega da história parece ser de propósito, provocando velhas convenções em uma roupagem nova e excitante – o ponto forte de Círculo de Fogo era a própria construção do seu mundo.

A terra sofre repetidamente com ataques, que aparentam ser, aleatórios de terríveis e gigantescos monstros de outra dimensão, situação que transforma o mundo em um lugar deprimente e assustador. O ambiente de Círculo de Fogo não é agradável – ele consiste de personagens totalmente desesperados e derrotados pela vida, transitando em ambientes escuros e metálicos em meio a numerosas tempestades e chuvas constantes e, é claro, ferozes investidas de monstros enormes. As máquinas gigantes (Jaeger) destinadas a confrontar a ameaça dos monstros (Kaiju), são controladas por dois pilotos simultaneamente através de uma conexão neural, colocando o desenvolvimento emocional dos personagens como uma peça central para a trama. Toda a equipe de pilotos possui os previsíveis traumas consequentes de se viver em um mundo dominado por monstros, só que eles precisam manter o emocional em cheque para atingir um nível satisfatório de conexão com o seu parceiro, e assim, derrotar os Kaiju e superar o seu próprio passado.

Resumidamente, a trama do primeiro filme acompanha o piloto Raleigh Beckett que controlava o Jaeger chamado Gipsy Danger junto com o seu irmão. Durante uma intensa batalha com um Kaiju, o irmão de Beckett é assassinado, o que faz Raleigh desistir de pilotar e se tornar um recluso. Naturalmente, ele é trazido volta para a missão mais importante da carreira do Marechal Pentecost, interpretado pelo fantástico ator inglês, Idris Elba. Pentecost possui uma filha adotiva, uma garotinha japonesa que ficou órfã após um ataque de Kaiju em Tóquio, Mako Mori (Rinku Kikuchi), que é a candidata perfeita para a posição de copiloto de Beckett, muito para o desgosto do seu pai, que prefere que Mako não se envolva diretamente nas batalhas. Adicionando ainda mais a esses tradicionais clichês de roteiros de ação e aventura, temos uma dupla de divertidos cientistas “malucos”, interpretados por Charlie Day e Burn Gorman, e toda uma carismática equipe de pilotos de todas nacionalidades, incorporando diferentes estereótipos do gênero. Círculo de Fogo está longe de ser um filme perfeito, mas com certeza é muito divertido.

Após bastante especulação e até um total abandono do projeto, Círculo de Fogo: A Revolta finalmente conseguiu ser produzido e lançado nos cinemas. Feito que só foi possível graças aos esforços do novo protagonista, John Boyega, que usou o dinheiro ganho na nova trilogia de Star Wars para criar a sua produtora, financiando a continuação de Círculo de Fogo do seu próprio bolso. Boyega interpreta o filho (nunca citado no primeiro filme) do marechal Pentecost, Jake Pentecost, que assim como Beckett, também é um piloto afastado do programa Jaeger, mas apenas graças a sua falta de comprometimento com o programa.

10 anos se passaram após os eventos de Círculo de Fogo e o mundo não tem certeza se relaxa ou dobra as suas defesas para um possível retorno do inimigo. É interessante ver a reação da humanidade anos após um longo período vivendo sob a ameaça dos Kaiju, algumas cidades foram reconstruídas com sucesso, outros lugares foram abandonados cheios de “cicatrizes” da guerra – decoradas por pedaços de velhos Jaeger destroçados e ossos e entranhas de Kaiju derrotados. O próprio Jake vive uma vida de tranquilidade e escambo nas áreas que nunca se recuperaram 100% dos ataques, e durante uma tentativa de furtar peças de um Jaeger caído, ele e a jovem mecânica amadora, Amara (Cailee Spaeny), acabam sendo capturados e recrutados a força para o programa Jaeger.

Tudo acontece muito rápido e muito convenientemente, na melhor forma dos velhos clichês de ação, assim como o filme predecessor, só que mais inconsistente e com menos personalidade – os eventos do filme vão além do chavão quase irônico do filme original e perigosamente caminham sobre o brega normal. Talvez a razão seja a mão do diretor, A Revolta é o primeiro longa de Steven S. DeKnight, que previamente só havia trabalhado com televisão, como Smallville (2001-2011), Buffy: A Caça-Vampiros (1997-2003) e Angel (1999-2004). A direção não impressiona, principalmente em comparação com a incrível criatividade de Guillermo Del Toro.

Certos elementos da narrativa incomodam, em especial a aparição totalmente aleatória de Jake como o filho secreto de Pentecost. É bastante difícil imaginar que o marechal não citaria o seu filho ao longo dos vários e intensos momentos de paternidade durante o primeiro longa, afinal, grande parte da sua jornada pessoal em Círculo de Fogo é referente à sua relação com a filha adotiva – sobre como ele precisa parar de superprotegê-la e deve deixá-la viver a própria vida e fazer as próprias escolhas. No final de Círculo de Fogo, Pentecost se torna um herói para todos, mas também prova ser um ótimo pai, e a existência de Jake Pentecost em A Revolta destrói essa imagem logo nos minutos iniciais. Essa questão poderia ter sido muito mais bem explicada e introduzida na trama.

Em Círculo de Fogo: A Revolta existe um forte foco no elenco de adolescentes, representado pela equipe de cadetes que Amara faz parte, e eles roubam a cena em diversos momentos. O que resulta, em geral, em um filme bem mais teen do que o original, mais leve e com um tom não tão sombrio – o que condiz com o estilo do diretor escolhido e a sua experiência com dramas adolescentes de TV. Alguns velhos personagens também estão de volta, como Mako e a dupla de cientistas malucos, mas enquanto Mako desaponta com um papel bastante pequeno na trama, e os cientistas até recebem um espaço considerável, principalmente Charlie Day, ninguém consegue ser bem utilizado, e alguns deles fogem consideravelmente do que o seu personagem representava originalmente.

Embora não tenham o mesmo impacto cru de desespero do primeiro longa, você pode esperar várias lutas legais entre os Jaeger e os Kaiju, agora com armas especiais desenvolvidas especialmente para os mechas, como espadas, serras e até um laço energético. O design dos novos Jaeger também não deixa a desejar, adicionando várias máquinas interessantes ao já extenso “elenco” robótico da série. Círculo de Fogo: A Revolta se resume a isso – impressionantes batalhas de animação gráfica e pouco mais além disso. O longa não é a melhor sequência para um filme que ocupa um certo espaço especial no coração das pessoas, e talvez essa continuação nem precisasse existir, porém não é tão difícil desligar um pouco o cérebro e simplesmente se divertir assistindo essas agressivas e explosivas batalhas de seres gigantes.

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Crítica do Filme “Com Amor, Simon” http://registropop.com.br/critica-do-filme-com-amor-simon/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-com-amor-simon/#respond Thu, 22 Mar 2018 15:36:05 +0000 http://registropop.com.br/?p=20579

Com Amor, Simon seria só mais uma típica comédia adolescente americana se não fosse pelo fato de que o herói, Simon, é gay. Todos os elementos estão presentes: eventos escolares, festas, bebidas, intrigas amorosas e a clássica crise existencial que todo mundo passa nessa idade, só que Simon também precisa lidar com esse grande secredo […]

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Com Amor, Simon seria só mais uma típica comédia adolescente americana se não fosse pelo fato de que o herói, Simon, é gay. Todos os elementos estão presentes: eventos escolares, festas, bebidas, intrigas amorosas e a clássica crise existencial que todo mundo passa nessa idade, só que Simon também precisa lidar com esse grande secredo que o impede de viver uma vida “normal”. O filme faz história como a primeira comédia romântica direcionada a adolescentes onde o protagonista é gay, e a produção certamente merece aplausos por isso.

A intenção da história é louvável e preenche uma importante lacuna de representação no cinema, porém o longa não deixa de ser uma comédia adolescente bastante genérica e um tanto vazia. Simon (Nick Robinson) vive uma vida perfeita e totalmente sem conflitos no seu último ano do ensino médio – com pais incríveis e compreensivos que se amam e velhos amigos próximos que estão sempre dispostos a tomar um café e jogar conversa fora. O adolescente está esperarando ir para faculdade (quando, nos EUA, é costumeiro que a pessoa mude de cidade, ou até de estado para morar sozinha) para lidar com o “problema” de ser gay, só que um post no blog de fofocas do seu colégio muda drasticamente os seus planos. Algum aluno da sua escola, que se identifica apenas como “Blue”, se “assume” gay e Simon, empolgado por compartilhar o que ele sente com alguém próximo, começa uma conversa por e-mails com essa pessoa. Ao longo das trocas de mensagens, o protagonista visualiza um possível romance com Blue e fica cada vez mais curioso sobre a verdadeira identidade do seu correspondente misterioso.

A trama se resume a busca de Simon por Blue, onde, durante todo o filme, ele imagina que pode ser um colega de classe diferente, fantasiando as possibilidades e colocando distintas vozes nas palavras dos e-mails que ele recebe. Para acrescentar um pouco mais de tensão ao conflito, Simon é chantageado por um conhecido dentro da escola que descobre os seus e-mails com Blue, o que o leva a mentir e a manipular os sentimentos do seu grupo de amigos, mas tudo isso acontece de uma forma consideravelmente leve e as consequências nunca parecem ser muito sérias.

O mundo de Com Amor, Simon é confortável demais, meio “careta” e fortemente teenager, como algo que você encontraria em alguma série da Nickelodeon ou do Disney Channel . O filme é tão meio-oeste-branco-classe média-americano genérico que é fácil de esquecer que o romance central é homossexual, e fora desses convencionais padrões. O diretor, Greg Berlanti, produziu e escreveu várias episódios de séries de televisão teen, desde Dawson’s Creek (1998-2003), até exemplos mais recentes como Riverdale (2017), baseada na série de quadrinhos para adolescentes, Archie Comics, ou as séries de heróis da DC, como Arrow (2012), The Flash (2014) e Supergirl (2015). Não é difícil concluir que Com Amor, Simon, que também foi adaptado do livro para jovens adultos, Simon vs. A Agenda Homo Sapiens de Becky Albertalli, compartilha de vários elementos desse universo televisivo, voltado para jovens, de Greg Berlanti.

O incontestável carisma de Nick Robinson, ator que vive o protagonista, não consegue segurar um roteiro cheio de referências forçadas e o mundo plástico e sem coração de Com Amor, Simon. Muito críticos compararam o filme a clássicos de John Hughes como Curtindo a Vida Adoidado (1986) ou Clube dos Cinco (1985) e eles não poderiam estar mais enganados – os filmes de Hughes possuem uma honestidade humana que passa longe de Com Amor, Simon e a sua coleção de personagens desmotivados e sem alma. Enquanto Clube dos Cinco, por exemplo, é um filme que até hoje, encanta e emociona graças à veracidade com a qual os adolescentes da época foram retratados, com problemas bastante reais que potencialmente se desdobram em várias camadas, Com Amor, Simon é no máximo um filme bonitinho em 2018, que talvez seja lembrado só pelo pioneirismo do seu tema central. Que o filme tenha servido, pelo menos, para abrir portas na indústria, já que a qualidade da produção em si definitivamente não é o ponto forte.

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Crítica do Filme “Maria Madalena” http://registropop.com.br/critica-do-filme-maria-madalena/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-maria-madalena/#respond Thu, 15 Mar 2018 15:42:25 +0000 http://registropop.com.br/?p=20054

O segundo filme do diretor Garth Davis, mais conhecido por Lion (indicado ao Oscar de melhor filme em 2016), não trata de um tema fácil, muito pelo contrário, Maria Madalena é um filme ousado. Baseado em um dos evangelhos apócrifos do novo testamento (evangelhos não aceitos na compilação original da bíblia), o filme tenta colocar […]

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O segundo filme do diretor Garth Davis, mais conhecido por Lion (indicado ao Oscar de melhor filme em 2016), não trata de um tema fácil, muito pelo contrário, Maria Madalena é um filme ousado. Baseado em um dos evangelhos apócrifos do novo testamento (evangelhos não aceitos na compilação original da bíblia), o filme tenta colocar a figura histórica de Maria Madalena em foco, e ajudar a desmentir a errônea imagem de que ela era nada mais do que uma promíscua prostituta que teve algum envolvimento com Jesus Cristo. Muitos acreditam que Madalena ocupava um papel similar ao de um décimo terceiro discípulo e que ela era a pessoa em quem Cristo mais confiava. Os próprios evangelhos canônicos do novo testamento (os que estão e sempre estiveram na bíblia) confirmam que Madalena foi a primeira pessoa a encontrar Cristo ressuscitado, mas o evangelho apócrifo vai além e diz que Cristo teria confiado palavras e ensinamentos somente a ela, que então confronta e tenta convencer aos outros discípulos sobre o verdadeiro significado do Reino de Deus.

Independente da interpretação, Maria Madalena é aceita universalmente como uma forte presença feminina na história de cristo e uma de suas mais devotas seguidoras, uma história que é naturalmente interessante de ser explorada no cinema. A indústria cinematográfica sempre foi o palco de inúmeras produções focadas em Jesus Cristo, no entanto, tende a pecar no volume de abordagens aos outros intrigantes personagens do cristianismo. Afinal, é muito difícil competir com a força de Jesus, em todos os sentidos, o personagem tende a logo atrair as atenções diretamente para ele, mas de um ponto de vista narrativo, colocá-lo mais ao fundo da história também pode ser bastante poderoso.

A solução que Maria Madalena encontrou foi, de certa forma, “humanizar” bastante a narrativa. O longa não é explicitamente bíblico como as típicas produções que tratam da história de Cristo – ele foge de todo aquele conceito de sagrado, sublime e até um tanto “mágico” que já é garantido quando falamos do novo testamento, e prefere focar nas pessoas e nas suas vidas. Jesus continua Jesus, o Deus entre os homens que toca e cativa a todos por onde ele passa, mas ele é apresentado de uma forma bem mais crua.

Essa humanização da história de Jesus causa sim certo estranhamento, porém, também é o grande trunfo e diferencial da produção de Garth Davis para com outros filmes do gênero. Desde a cena inicial, o clima que paira sobre a narrativa é o de um filme indie sobre pessoas normais em um tempo longíquo no oriente médio. Vemos a história pelos olhos de Maria Madalena, acompanhamos a dor e a dificuldade da sua vida cotidiana e não é difícil compartilhar o sentimento de redenção que ela sente ao encontrar, e se unir, a Jesus Cristo.

Outro ponto que ajuda nesse estranhamento geral que permeia a produção é a escolha dos protagonistas: Rooney Mara (que trabalhou com Davis em Lion) e Joaquín Phoenix, ambos bons atores e ambos escolhas questionáveis para os seus respectivos papéis. Phoenix, já pela aparência, é tudo que você, tipicamente, não espera de Jesus – baixinho, meio feio, meio normal. Falta no ator aquele toque de “grandeza”, serenidade e penitência, como o de Henry Cavill em A Paixão de Cristo (2004), por exemplo. Phoenix tem muita cara de filme indie, fator que também atrapalha um pouco a caracterização de Rooney Mara como Maria Madalena. Os dois convencem pouco como pessoas da época e do local, e os dois também sofrem um pouco de overacting ao longo do filme – As emoções, principalmente de Phoenix, em vários momentos são mais exageradas do que o necessário.  No entanto, enquanto eu assistia o filme, fui convencido de que essa estranheza também funciona a favor do que está tentando ser feito no longa, e algumas das sequências entre Madalena e Jesus são sim mais quietas e contidas e essas são as cenas mais bonitas de todo o filme.

Se realmente existe algo de sagrado nesse filme, isso é a sutil e poderosa trilha sonora original composta pelos islandeses Hildur Guðnadóttir e Jóhann Jóhannsson. Jóhannsson, falecido esse ano, compôs lindas trilhas para maioria dos filmes de Denis Villeneuve, como Sicario (2015) e A Chegada (2016), e ele vai fazer falta. Em diversas cenas de Maria Madalena, principalmente durante sermões ou discursos mais longos, a música sustenta e edifica atuações que, com certeza, não seriam tão memoráveis por si só. Composta por orquestrações simples, com elementos que se repetem constantemente e aumentando o tom aos poucos, a trilha consegue sequestrar o clima geral do momento e transformar a cena por completo. A existência da trilha ajuda bastante a vender a atuação de Joaquín Phoenix como Jesus, por exemplo. A música é simplesmente a melhor parte do filme, ela funciona com perfeição e emociona no processo.

Esse foi um filme feito para dividir o público e se você estiver disposto a entender e aceitar a ideia do diretor, e o trabalho dos atores, Maria Madalena  pode ser uma experiência muito interessante. O longa não é para todos, mas é, no mínimo, um filme ousado e diferente que não passa batido.

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Crítica do Filme “Em Pedaços” http://registropop.com.br/critica-do-filme-em-pedacos/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-em-pedacos/#respond Thu, 15 Mar 2018 06:26:38 +0000 http://registropop.com.br/?p=20215

O mais interessante de Em Pedaços, do diretor alemão-turco Fatih Akin, é como a clássica estrutura de três atos funciona ao contar essa história – cada ato parece o seu próprio filme, inclusive mudando de gênero e tom, mas sempre amarrado a ideia universal de tragédia e sofrimento. A trama é dividida em três capítulos: […]

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O mais interessante de Em Pedaços, do diretor alemão-turco Fatih Akin, é como a clássica estrutura de três atos funciona ao contar essa história – cada ato parece o seu próprio filme, inclusive mudando de gênero e tom, mas sempre amarrado a ideia universal de tragédia e sofrimento. A trama é dividida em três capítulos: “Família”, “Justiça” e “O Mar”.

O longa abre com uma filmagem caseira de um casamento na prisão entre um dos presos, Nuri Sekerci (Numan Acar), e a protagonista, Katja Sekerci, vivida pela fantástica atriz alemã Diane Kruger. A cena funciona meio como uma forma rápida de indicar que o personagem de Acar costumava ser um criminoso e que o casamento dos dois nunca foi tão “convencional”. Sete anos depois, Katja deixa o seu filho com Nuri enquanto visita uma amiga, na empresa onde ele trabalha em um bairro turco de Berlim. Quando Katja volta para encontrá-los poucas horas depois, ela descobre que houve uma explosão logo em frente da onde eles estravam e, em um segundo, ela perde o marido e o filho pequeno, mudando a sua vida drasticamente.

Tudo acontece muito rápido e logo a personagem de Kruger entra em um intenso espiral de dor e desespero, mostrado em detalhes agoniantes durante todo o primeiro ato. Enquanto Katja tenta lidar com esse forte e constante sofrimento, a polícia investiga a explosão, chegando a conclusão de que foi um ato criminoso, provavelmente ligado ao passado de Nuri como traficante. Os policiais insistem na ideia de que o marido de Katja ainda estava envolvido com o mundo do crime, e que ele provavelmente irritou as pessoas erradas, já ela, no entanto, tem certeza de que Nuri estava completamente reformado e acredita que a explosão foi causada por neo-nazistas.

No segundo ato, o filme se transforma em um drama de tribunal, acompanhando Katja durante o julgamento dos suspeitos pelo assassinato de sua família. Desde o começo, a verdadeira identidade dos culpados fica bastante clara, o filme não tenta esconder isso, pelo contrário, mas as tecnicalidades legais constantemente atrasam o processo, causando grande frustração a protagonista e a quem está assistindo ao filme. Um forte embate é criado entre o agressivo advogado de defesa, apelando à inconsistência das provas, e o advogado de Katja, focando no impacto emocional da tragédia.

Após vários minutos criando uma forte conexão emocional com Katja, o terceiro ato do filme faz um ótimo trabalho colocando a protagonista em uma situação bastante tensa onde você realmente não sabe o que pode acontecer – o longa se transforma quase em um thriller de ação. A personagem de Kruger vai atrás de uma resolução mais clara com as suas próprias mãos, mas o que ela realmente quer é apenas encontrar redenção. Esse conflito entre vingança e resolução tem um papel crucial na parte final da trama.

A estrutura de atos com gêneros e intensidades diferentes, não só tem sucesso em manter um interesse constante na história, como é um prato cheio para uma atriz do calibre de Diane Kruger – a atriz é o filme, e assistir a conturbada jornada de Katja Sekerci é um verdadeiro deleite.

O filme possui uma direção competente, uma trilha sonora original de bom gosto, composta por Josh Homme do Queens of the Stone Age, e trata do importante, e sensível, tema dos imigrantes na Europa, mesmo não sendo o foco da narrativa em si. Essa é uma produção sobre a dor e ela é bastante efetiva em transmitir esse sentimento – é impossível não sentir o desespero da personagem de Kruger ao longo de todo o filme. Em Pedaços não chegou a ser indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, mas ganhou o Globo de Ouro e garantiu, para Diane Kruger, o merecido prêmio de melhor atriz em Cannes. Vale a pena assistir a essa verdadeira epopeia alemã sobre o sofrimento.

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Crítica do Filme “O Passageiro” http://registropop.com.br/critica-do-filme-o-passageiro/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-o-passageiro/#respond Wed, 07 Mar 2018 17:30:16 +0000 http://registropop.com.br/?p=19677

O Passageiro é a quarta colaboração entre o diretor espanhol Jaume Collet-Serra e o ator sério, transformado em brucutu improvável, Liam Neeson. O diretor possui um currículo bastante interessante – filmes de terror medíocres como o remake de A Casa de Cera (2005) ou A Orfã (2009) – e basicamente filmes de ação genéricos estrelados […]

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O Passageiro é a quarta colaboração entre o diretor espanhol Jaume Collet-Serra e o ator sério, transformado em brucutu improvável, Liam Neeson. O diretor possui um currículo bastante interessante – filmes de terror medíocres como o remake de A Casa de Cera (2005) ou A Orfã (2009) – e basicamente filmes de ação genéricos estrelados por Liam Neeson, como Desconhecido (2011) e Sem Escalas (2014). Pode se dizer que o principal gênero cinematográfico do trabalho de Collet-Serra é “filme com Liam Neeson”, uma especialidade no mínimo peculiar.

Claramente, a quadrilogia de Collet-Serra com o seu ator de ação preferido tende a repetir certos aspectos: talvez Neeson seja um ex alguma coisa (como um mercenário ou policial), que talvez precise encontrar um objeto ou uma pessoa específica em algum ambiente fechado, mas com certeza o ator vai ser extremamente eficaz ao lidar com a situação. O Passageiro é especialmente parecido com Sem Escalas, você só precisa trocar o avião por um trem. Em ambos os filmes, o personagem de Neeson possui um tempo limitado para encontrar alguém dentro do veículo de transporte em que ele está viajando, enquanto recebe constantes ameaças por telefone e protege todos os outros passageiros.

A maior diferença entre as duas tramas talvez seja quanto ao lado emocional – em Sem Escalas, Neeson é um agente federal, ex-policial, alcoólatra e amargurado, lidando com uma grande ameaça enquanto realiza o seu trabalho, e em O Passageiro, o ator vive Michael Maccauley, um vendedor de seguros, ex-policial, que acabou de perder o emprego de 10 anos e está voltando para casa no mesmo trem que ele pega todos os dias. E ao contrário do protagonista de Sem Escalas, que perdeu a sua filha, Michael MacCauley ainda tem uma família para cuidar e se preocupar, e ele está, de certa forma, em casa. O incidente incitante da trama interfere a sua rotina, ameaça o status quo da sua vida atual, e obriga MacCauley a abandonar tudo o que construiu e voltar a realidade policial que ele já havia abandonado a tanto tempo.

Existe uma certa intimidade e familiaridade crua na história de MacCauley e isso é expressado de várias formas através do longa. Assistindo as primeiras cenas, principalmente a montagem de abertura, o forte tom “humano” apresentado parece combinar mais com um denso filme indie do que com um thriller de ação. Nisso, O Passageiro consegue se afastar um pouco de ser simplesmente mais um filme de ação genérico, a ambientação da narrativa é claramente muito importante na visão do diretor – Rotina é a palavra-chave – repetição, dores e alegrias cotidianas enfeitam a vida de “passageiro” (na falta da palavra americana, commuter, basicamente quem se desloca consideravelmente para o trabalho) de Michael McCauley. Isso se mantém como um típico “truque” de filmes de ação, a empatia gerada pelo regular guy que secretamente é um herói, mas esse truque pode ser bem executado ou não, e aqui ele cumpre o pretendido.

A direção não é ruim, mas no final das contas, a atuação de Neeson é a verdadeira culpada pelo sucesso dessa simpatia do protagonista. Neeson é um bom ator, não necessariamente apenas um bom ator de ação, no entanto ele também acaba sendo um bom ator de ação. Após a famosa trilogia de Busca Implacável (2008-20014), Neeson infelizmente ficou preso em um estigma de brucutu que dificilmente vai ir embora e parece que perdemos para sempre o Liam Neeson de grandes filmes como A Lista de Schindler (1993), e temos que aceitar isso. Assim, fica cada vez mais difícil levar o “novo filme do Liam Neeson” a sério, mesmo que não seja péssimo, chegou ao ponto em que dificilmente vai ser ótimo, e esse é o caso de O Passageiro.

Honestamente, O Passageiro é um thriller de ação que até entretém, mas definitivamente falha em ser muito memorável. Você pode esperar várias cenas intensas onde Liam Neeson parece um super-herói implacável em meio a situações adversas e é por aí. Esse provavelmente não é o tipo de filme que você vai recomendar a alguém ou se esforçar para ver no cinema, e sim, algo que pode ser agradável de se assistir no Telecine em qualquer dia mais parado da sua vida.

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Crítica do Filme “Operação Red Sparrow” http://registropop.com.br/critica-do-filme-operacao-red-sparrow/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-operacao-red-sparrow/#respond Thu, 01 Mar 2018 17:38:55 +0000 http://registropop.com.br/?p=19171

Após terem trabalhado juntos por três filmes, durante a era da franquia Jogos Vorazes, o diretor Francis Lawrence e a atriz Jennifer Lawrence (sem parentesco) reatam a sua parceria em Operação Red Sparrow, novo thriller de espionagem baseado no livro de mesmo nome. Francis dirigiu quase todos os filmes da série que catapultou a carreira […]

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Após terem trabalhado juntos por três filmes, durante a era da franquia Jogos Vorazes, o diretor Francis Lawrence e a atriz Jennifer Lawrence (sem parentesco) reatam a sua parceria em Operação Red Sparrow, novo thriller de espionagem baseado no livro de mesmo nome.

Francis dirigiu quase todos os filmes da série que catapultou a carreira de Jennifer ao status de superestrela de hollywood, e a atriz certamente conseguiu provar que é mais do que só um rostinho bonito estampando um pôster de uma franquia pop e sem conteúdo, inclusive conquistando um Oscar por O Lado Bom da Vida (2012) no mesmo ano em que o primeiro Jogos Vorazes foi lançado. Porém, o diretor parece nunca ter se desvencilhado desse “tipo” de cinema – blockbusters “vazios” e primariamente controlados pela produtora. Francis dirigiu, na sequência: vários videoclipes, Constantine (2005), Eu Sou a Lenda (2007), Água para Elefantes (2011), três Jogos Vorazes, e agora, Operação Red Sparrow. Ao contrário da outra Lawrence presente na produção, um currículo pouco impressionante e que tende a um certo pé atrás.

Analizando a carreira de Jennifer Lawrence, não é difícil perceber que ela já atuou em todo tipo de filme. Metade da sua carreira consiste em superproduções e a outra metade em filmes mais “sérios”, de um ponto de vista artístico, como o seu último longa, Mãe! (2017), por exemplo. Um pico de popularidade fez com que Lawrence fosse constantemente escalada para uma diversidade de papéis nos últimos anos, e ela não atua mal, longe disso, mas a atriz só consegue fazer o máximo que o material permite. Operação Red Sparrow é um bom exemplo de um material que definitivamente não funciona. Lawrence não só falha em salvar o filme, como ela mesma parece totalmente perdida no meio dessa história.

O longa segue a história da personagem de Jennifer Lawrence, Dominika Egorova, uma famosa bailarina russa do Bolshoi que machuca a perna após um acidente e nunca mais poderá dançar ballet. Sem rumo, sem dinheiro e com a mãe doente para cuidar, Dominika se vê obrigada a aceitar a ajuda do seu tio, um homem misterioso e bastante influente dentro da inteligência russa. E esse é o momento em que você espera que o filme se transforme em uma história de espiões e agentes secretos, e não o soft porn que ele realmente é. Claro, existem muitos momentos típicos de filme de espião, como intrigas, reviravoltas, violência gratuita e um pouco de tortura, no entanto, a trama central do longa é sobre como o sexo pode ser usado na espionagem. E como se usa sexo nesse filme! A quantidade e a relevância do tema para a narrativa é de surpreender, quase uns 50 Tons de Cinza (2015), ou até pior.

Resumidamente, Operação Red Sparrow é um filme até que bastante agradável visualmente, mas é basicamente isso – uma moldura bonita que adorna um pedaço de papel em branco. O roteiro é ruim, as falas são péssimas e tudo simplesmente parece meio brega. O clima é quase o de um pornô de baixa qualidade mesmo, e em vários momentos, as constantes cenas de sexo dão até certa vergonha de assistir ao filme. No final das contas, a produção acaba parecendo uma desculpa para a Jennifer Lawrence ficar pelada. A cereja no bolo do desconforto temático aqui é a química inexistente entre Lawrence e Joel Edgerton, reforçando ainda mais aquela clássica desconexão da pornografia.

É difícil entender como, ainda hoje, estúdios ainda fazem um filme na Rússia e sobre a Rússia com atores americanos fingindo um sotaque porcamente. É ridículo e impossível de se levar a sério, principalmente a protagonista. Logo na primeira cena com Lawrence interpretando uma russa algo já parece errado e esse sentimento dura o filme inteiro, por diversas razões. O que não é por pouco tempo, 2 horas e 10 minutos conseguem parecer um verdadeiro infinito dentro da sala de cinema, Operação Red Sparrow não acertou nem no tempo de duração. A boa notícia é que estamos na época do Oscar e existe um grande leque de bons filmes para se assistir no cinema, e é muito fácil passar longe dessa última produção de Francis e Jennifer Lawrence.

 

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Crítica do Filme “A Maldição da Casa Winchester” http://registropop.com.br/critica-do-filme-maldicao-da-casa-winchester/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-maldicao-da-casa-winchester/#respond Thu, 01 Mar 2018 17:32:50 +0000 http://registropop.com.br/?p=19283

Por Aleph Casara Escrito e dirigido pelos irmãos Michael e Peter Spierig, diretores do recente Jogos Mortais: Jigsaw (2017), o novo thriller de terror, A Maldição da Casa Winchester, se posiciona como uma coleção de jumpscares, as tradicionais surpresas abruptas dos filmes de terror, com um tom despretensioso. A trama se baseia na história real da […]

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Por Aleph Casara

Escrito e dirigido pelos irmãos Michael e Peter Spierig, diretores do recente Jogos Mortais: Jigsaw (2017), o novo thriller de terror, A Maldição da Casa Winchester, se posiciona como uma coleção de jumpscares, as tradicionais surpresas abruptas dos filmes de terror, com um tom despretensioso.

A trama se baseia na história real da viúva Sarah Winchester (Helen Mirren), que após perder o marido e a filha recém-nascida, se convence de que espíritos, atormentados por mortes violentas causadas pelas armas fabricadas por sua família, querem acabar com sua vida. Sarah acredita que a única forma de manter esses espíritos afastados é com a construção ininterrupta de quartos, naquilo que viria a se tornar a maior mansão de todo o estado da Califórnia, até os dias de hoje. Obviamente, os acionistas da empresa demonstram sua preocupação com a capacidade de liderança, da maior empresa de armas, na época, por alguém que claramente estava fora da realidade. É nesse momento que entra em ação o protagonista, o Dr. Eric Price, interpretado por Jason Clarke, que com bastante carisma e uma atuação excelente, acaba por conduzir o longa de uma forma consistente.

O longa é baseado em fatos reais, o que é sempre bem vindo em filmes de terror, e, apesar de todo o background bizarro da verdadeira história, a narrativa se apega muito mais a pequenos sustos, que muitas vezes beiram ao cômico, do que à criação do clima denso que seria esperado desse tipo de filme. Até existe sim alguma tensão na atmosfera do longa, mas o que realmente sustenta a produção é o carisma dos atores principais, Jason Clarke e principalmente, Helen Mirren, atriz consagrada que inclusive conquistou o Oscar de melhor atriz em 2007 por A Rainha.

A Maldição da Casa Winchester não se sustenta pelo terror ou pelos jumpscares, mas sim, por uma história sólida que, mesmo sendo 100% previsível, é conduzida com charme e executada de uma forma competente. Por sua falta de pretensão, o longa não convence como terror puro, no entanto, ele se mantém interessante na forma de um suspense. Não vemos os personagens cometendo aqueles mesmos clichês irritantes da maioria dos filmes do gênero, onde eles fazem coisas estúpidas apenas para evocar situações propícias em que o “terror” acontece, o que confere certa credibilidade e até “vida” a esses personagens.

Se você quer sentir medo ou levar bons sustos, talvez esse não seja o filme que você procura, entretanto se você apenas quer assistir a uma história de terror despretensiosa e com personagens carismáticos, vale a pena dar uma chance para A Maldição da Casa Winchester.

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Crítica do Filme “Trama Fantasma” http://registropop.com.br/critica-do-filme-trama-fantasma/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-trama-fantasma/#respond Thu, 22 Feb 2018 15:15:21 +0000 http://registropop.com.br/?p=18814

Desde os anos 90 o diretor Paul Thomas Anderson vem enriquecendo o mundo cinematográfico com as suas obras bastante autorais. Anderson é conhecido por ser o diretor/roteirista responsável por filme como Boogie Nights (1997), pelo dramalhão de mais de três horas, Magnólia (1999), que foi logo sucedido por uma comédia romântica com Adam Sandler, Embriagado […]

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Desde os anos 90 o diretor Paul Thomas Anderson vem enriquecendo o mundo cinematográfico com as suas obras bastante autorais. Anderson é conhecido por ser o diretor/roteirista responsável por filme como Boogie Nights (1997), pelo dramalhão de mais de três horas, Magnólia (1999), que foi logo sucedido por uma comédia romântica com Adam Sandler, Embriagado de Amor (2002), e pela sua magnum opus, Sangue Negro (2007), que conquistou o segundo dos três Oscars de Daniel Day-Lewis e é considerado um dos maiores filmes da década de 2000. As obras de Anderson já coletaram 25 indicações ao Oscar e ele já se provou um diretor que não tem medo de tentar coisas novas, além de ser um roteirista fenomenal. É sempre interessante acompanhar o quê Paul Thomas Anderson vai tirar da cartola na próxima vez.

Também é sempre um deleite assistir Daniel Day-Lewis atuando. Os amantes da sétima arte ganham agora um verdadeiro presente, materializado na oportunidade de ver Day-Lewis interpretando pela última vez antes de sua aposentadoria, com o mais novo romance de época de Paul Thomas Anderson, Trama Fantasma.

Um dos indicados a categoria de melhor filme no Oscar 2018, Trama Fantasma é deliciosamente intrincado, equilibrando com maestria um tom mais sério e sóbrio, com um clima quase leve e romântico.A estrutura do filme harmoniza perfeitamente com a premissa da história e com a postura do protagonista, o estilista Reynolds Woodcock, vivido por Day-Lewis. Reynolds é o mais famoso criador de vestidos de Londres, um homem culto, rico, bonito e admirado por todos. Ao mesmo tempo, o estilista vive imerso em seu trabalho e pouco se encaixa no fluxo da sociedade, cheio de TOCs e manias, Reynolds não permite que muitas pessoas entrem na sua vida e pode ser considerado um solitário, exceto pela companhia de sua irmã, e mandante nos negócios, Cyril (Lesley Manville), e pelo seu time de costureiras, que vive na sua casa.

Reynolds aprecia a sua rotina acima de tudo. Pequenos barulhos e interrupções não planejadas acabam completamente com o seu dia, e a forma com a qual Anderson e Daniel Day Lewis apresentam esses momentos é espetacular. A parceria entre o diretor e o ator funciona com a precisão de um relógio suiço e assistir esses singelos momentos de irritação, ou qualquer outro momento de Reynolds Woodcock, nunca perde a graça.

As coisas mudam um pouco na casa do estilista quando ele decide trazer uma jovem e humilde garçonete para dentro de sua casa, Alma Elson, interpretada com muita segurança pela atriz Vicky Krieps. Reynolds transforma Alma em sua modelo principal/musa/amante/namorada e até mãe em alguns momentos, como ele aparentemente já fizera com tantas outras garotas. Após algum tempo, essas garotas tendem a perder o “brilho” diante dos olhos do estilista, que é quando Cyril trata de convidá-las a se retirar da casa, geralmente as presenteando com um bonito vestido no caminho. No entanto, com a chegada de Alma, muito para o desprazer de Reynolds, essa velha rotina se transforma em algo diferente.

Falar mais do que o básico sobre a trama é estragar grande parte da misteriosa magia que exala do longa de Paul Thomas Anderson. A atmosfera aqui construída é tão bela quanto é desconcertante. Logo de mãos dadas com as belas atuações, encontramos a direção e fotografia (feita pelo próprio diretor), que fazem até cenas onde um personagem come um omelete serem absurdamente interessantes. Porém, a verdadeira protagonista da hipnotizante ambientação do longa é a trilha sonora., composta pelo velho parceiro de Anderson, Johnny Greenwood, mais conhecido como guitarrista da banda Radiohead, mas também considerado um virtuoso compositor de trilhas, geralmente bastante melódicas e melancólicas, além de puramente lindas e altamente harmoniosas. A trilha de Trama Fantasma é praticamente um personagem à parte.

Trama Fantasma é imperdível e o trabalho coletivo de Anderson, Day-Lewis (junto a todo o elenco) e Johnny Greenwood é impecável. O estranho romance simbiótico entre duas pessoas de personalidades tão diferentes, a forte relação de confiança entre o estilista e a sua irmã, os hábitos e o estilo de vida do protagonista se confrontando com a tenacidade da sua musa, o clima preciso, metódico e até fantasmagórico que envelopa os personagens – esses aspectos se ligam como pontos de um tricô, perfeitamente equilibrados, compondo uma imagem maior, íntima e muito particular, que é simplesmente muito interessante para não ser admirada.

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Crítica do Filme “Três Anúncios Para Um Crime” http://registropop.com.br/critica-do-filme-tres-anuncios-para-um-crime/ http://registropop.com.br/critica-do-filme-tres-anuncios-para-um-crime/#respond Thu, 15 Feb 2018 16:24:28 +0000 http://registropop.com.br/?p=18049

Três Anúncios Para Um Crime é uma obra-prima. Cinema do mais alto nível, como se vê muito pouco hoje em dia. O filme é claramente o preferido para ganhar o Oscar de melhor filme e o meu palpite é que ele leva e que merece levar. O diretor e roteirista Martin Mcdonagh não é um […]

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Três Anúncios Para Um Crime é uma obra-prima. Cinema do mais alto nível, como se vê muito pouco hoje em dia. O filme é claramente o preferido para ganhar o Oscar de melhor filme e o meu palpite é que ele leva e que merece levar. O diretor e roteirista Martin Mcdonagh não é um estranho para a premiação da academia, tendo conquistado o prêmio de melhor curta-metragem no início da sua carreira como cineasta, mas o que ele realizou agora com o seu terceiro longa autoral é digno de palmas. Três Anúncios Para Um Crime é uma perfeita orquestração do trágico, do violento, do emocional, do humano e até do engraçado em um filme.

O título brasileiro cria uma certa expectativa de que você está prestes a assistir mais um drama policial, provavelmente focado nesse tal “crime”, no entanto, o verdadeiro, ou melhor, os verdadeiros protagonistas da trama são os “três anúncios”. Ao longo da história, pouco se espera até ficar claro que o crime é só uma desculpa, e o que realmente importa aqui é o impacto de três outdoors na pequena cidade de Ebbing, no Missouri, sul dos Estados Unidos. Essa é a maior força de Três Anúncios Para Um Crime, a imprevisibilidade. Durante qualquer momento da narrativa, é impossível saber exatamente o que pode ou o que vai acontecer, e essa é uma sensação maravilhosa para sentir no cinema. O filme nos deixa totalmente despreparados e a mercê da vontade do diretor, surpreendendo do começo até a cena final.

Logo na cena de abertura, Mildred Hayes, interpretada pela incrivelmente talentosa e multi-premiada, Frances Mcdormand, aluga três outdoors abandonados em uma rua deserta perto de sua casa, com o intuito de provocar o xerife da cidade, Bill Willoughby (Woody Harrelson), que falhou em encontrar o culpado no caso do estupro e assassinato da filha de Mildred, Angela, sete meses atrás. A ideia de Mildred, embora tenha atingido o objetivo de trazer atenção ao já esquecido caso de sua filha, coloca a cidade inteira contra ela, já que o chefe de polícia é bastante amado e respeitado pela população.

O próprio xerife Willoughby não é radicalmente contra os outdoors e até compadece da dor de Mildred, entretanto, o departamento de polícia da cidade se sente altamente ofendido com as afrontas direcionadas ao chefe de polícia. Um tipo de guerra é iniciada entre Mildred e a polícia de Ebbing, especialmente o oficial Jason Dixon (Sam Rockwell), que não é muito inteligente ou dedicado ao seu trabalho, mas sente uma enorme admiração pelo xerife.

Entregar mais detalhes sobre a história é desnecessário e, possivelmente, poderia até estragar um pouco a experiência. Afinal, ser carregado pelo redemoinho de acontecimentos que se desenvolvem, é a melhor parte de Três Anúncios Para Um Crime, junto, é claro, com poder acompanhar a determinação cega, a sede de vingança, e até o eventual crescimento, dos personagens de Mcdormand e Rockwell. Ambos foram obviamente indicados ao Oscar, em suas respectivas categorias, por duas performances intensas e eletrizantes, que só eles poderiam entregar dessa forma. Rockwell ainda é acompanhado por Woody Harrelson na lista de indicados a melhor ator coadjuvante, isso mesmo, o elenco de Três Anúncios Para Um Crime é tão bom que os dois atores estão competindo entre eles na mesma categoria.

O longa de Mcdonagh também conta com cenas belíssimas, equilibradas na precisão de uma balança, e perfeitamente conduzidas por uma sensível trilha sonora que, na maioria das vezes, faz um incrível contraste com a intensidade apresentada visualmente. Mcdonagh não só é um excepcional contador de histórias (e ele é realmente conhecido como um dos maiores dramaturgos da Irlanda) como é um fantástico arquiteto de imagens. Algumas cenas de Três Anuncios Para Um Crime simplesmente precisam ser vistas, descrevê-las seria um desserviço à obra do diretor.

A combinação de humor negro e drama policial, típico das produções de Macdonagh, mexe constantemente com os sentimentos da audiência. O absurdo de algumas situações apresentadas, e a violência envolvida, ao mesmo tempo choca, e impressiona pela beleza visual e temática. E então, algum diálogo perfeitamente colocado, ainda arranca algumas risadas inesperadas. Motivos são o que não falta para assistir Três Anúncios Para Um Crime, o filme é o pacote completo.

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